Ensino de Educação Financeira para Alunos Ribeirinhos do Marajó: Uma Proposta de Atividade para o Ensino Médio
Ensino de Matemática. Educação Financeira Escolar. Alunos ribeirinhos do Marajó. Ensino Médio.
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa desenvolvida junto ao Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Matemática (PPGEM) da Universidade do Estado do Pará que busca responder a seguinte problemática: como inserir a Educação Financeira no ensino médio de comunidades ribeirinhas marajoaras de forma contextualizada, significativa e promotora de autonomia e cidadania? Dessa forma, a presente dissertação tem como objetivo investigar as potencialidades de uma sequência didática em Educação Financeira relacionada a objetos matemáticos, elaborada a partir da realidade sociocultural ribeirinha do arquipélago do Marajó, no processo de ensino e aprendizagem de alunos do ensino médio. Fundamentada nos princípios da Educação Matemática e nos pressupostos freireanos de uma educação libertadora, a pesquisa propõe uma abordagem contextualizada, capaz de integrar saberes matemáticos, sociais e culturais à formação cidadã dos estudantes. A investigação contou com uma revisão de literatura que apontou para a inexistência de pesquisas sobre a temática abordada no Marajó e reforça a necessidade da realização de pesquisas acadêmicas em cenários ribeirinhos marajoaras. Metodologicamente, caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, tendo como principal estratégia a elaboração, aplicação e análise de uma sequência didática estruturada segundo o modelo das Unidades Articuláveis de Reconstrução Conceitual (UARC). As atividades desenvolvidas abordaram temas de Educação Financeira vinculados ao cotidiano dos alunos, como consumo, planejamento financeiro e tomada de decisão consciente, visando à construção de um pensamento matemático crítico. Os resultados evidenciaram que o uso das UARC favoreceu a articulação entre teoria e prática, promovendo um ambiente de aprendizagem dinâmico, participativo e significativo. Observou-se, ainda, o aumento do interesse pela Matemática e a percepção de que o conhecimento financeiro pode ser um instrumento de leitura crítica e transformação da realidade. A pesquisa revelou, portanto, que o ensino de Educação Financeira, quando contextualizado ao território ribeirinho e articulado à Matemática, contribui para a formação integral dos estudantes e reafirma o papel da escola como espaço de emancipação e valorização cultural. Conclui-se que a proposta metodológica apresentada constitui uma alternativa viável para a inserção da Educação Financeira no ensino médio, especialmente em contextos amazônicos, apontando caminhos para novas práticas pedagógicas e investigações futuras na área. A partir da pesquisa foi desenvolvido um produto educacional em formato de livreto contendo a sequência didática com suas principais nuances de empiria.