“PARADIGMA DA AGROECOLOGIA EM TERRITÓRIOS NA AMAZÔNIA: Protagonismo e ancestralidade nas práticas de mulheres quilombolas em Uxizal, Mocajuba, Pará
Autonomia feminina, Comunidades quilombolas, Mulheres quilombolas, Território, Territorialização.
Esta pesquisa aborda a agroecologia em territórios quilombolas amazônicos, com ênfase no protagonismo feminino no manejo de quintais agroflorestais. O estudo teve como objetivo geral é analisar o protagonismo das mulheres quilombolas no manejo dos quintais agroflorestais, como prática ancestral de resistência e sustentabilidade, evidenciando como essas ações contribuem para a construção e afirmação territorial do Quilombo de Uxizal, em Mocajuba (PA). A investigação foi realizada no Quilombo de Uxizal, localizado no município de Mocajuba, na região do Baixo Tocantins, Pará. Adotou-se metodologia de abordagem qualitativa, com pesquisa bibliográfica e análise documental, realizando ainda observação participante, aplicação de questionários semiestruturados e a realização de entrevistas com as mulheres quilombolas responsáveis pelo manejo dos quintais. As participantes foram 26 mulheres adultas da comunidade, com faixa etária entre 20 e 77 anos, reconhecidas por sua atuação produtiva e social nos quintais agroflorestais. Os resultados evidenciaram que estes quintais garantem 100% da segurança alimentar, 50% de toda geração de renda complementar e 100% da conservação da agrobiodiversidade, além de fortalecerem as redes de solidariedade e identidades ancestrais. Constatou-se que o trabalho feminino sustenta a base agroecológica da comunidade, ainda que historicamente invisibilizado. Verificou-se, também, que os quintais agroflorestais funcionam como microterritórios de cuidado, memória e resistência, articulando produção, cultura e autonomia. Concluiu-se que a agroecologia, no contexto do Quilombo de Uxizal, transcende a dimensão técnica, constituindo-se como estratégia política de territorialização e de fortalecimento do protagonismo das mulheres quilombolas na Amazônia.