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Dissertações |
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ELISSANDRA LIMA SILVA
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Crimes e infrações ambientais no sudeste paraense: seus aspectos e a legislação relacionada
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Orientador : MANOEL TAVARES DE PAULA
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Data: 05/01/2025
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A ação humana sobre os recursos naturais tem gerado muitos problemas ambientais, especialmente no que refere ao desmatamento. Com a edição da Lei no 9.605/98 que dispõe sobre as sanções penais e administrativas aplicáveis a condutas e atividades lesivas ao meio ambiente (crimes e infrações ambientais), tornou-se possível responsabilizar os agressores, prevendo multas de até 50 milhões de reais, e pena de prisão. Assim, este estudo objetiva verificar as ocorrências de crimes e infrações ambientais no sudeste paraense, nas microrregiões de Parauapebas e Marabá, no período de 2014 a 2024, por meio de levantamento de dados sobre os crimes ambientais junto ao PJE (TJ/PA, TRF1, MP/PA), bem como nos relatórios de transparências da Secretaria de Estado de Meio Ambiente/SEMAS e das Prefeituras. As ocorrências foram analisadas à luz da Lei de crimes ambientais. Para compreender as variáveis foi tabulado o quantitativo e feito uma análise descritiva. Os resultados indicaram que as cidades de Marabá e Parauapebas apresentam maior propensão à prática de lesões ambientais. Os crimes contra flora foram os de maior incidência, havendo uma correlação evidente com o aumento populacional, processo de migração e a urbanização para a região sudeste do Pará. Os fatores econômicos, culturais e educacionais também concorrem para a prática dessas infrações. Dessa forma, verificou-se que são necessárias ações efetiva do poder público para combater as práticas danosas ao meio ambiente, tais como, ações de fiscalização, aplicação rigorosa da legislação e educação ambiental.
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LIANDRA CAROLINE DO ROSARIO SOARES
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Caracterização dos atributos químicos do cultivo de mandioca (Manihot esculenta Crantz) no munícipio de Portel, Mesorregião do Marajó, Estado do Pará
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Orientador : MANOEL TAVARES DE PAULA
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Data: 06/01/2025
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A cultura da mandioca desempenha um papel essencial para a agricultura familiar no Brasil, com destaque para a Ilha do Marajó, no Pará, onde o município de Portel se configura como um dos maiores produtores da região. Esse cultivo não apenas assegura a subsistência alimentar de diversas comunidades, mas também gera renda, impulsionando a economia local. Apesar disso, desafios como a ausência de tecnologias específicas, pragas, doenças e baixa qualidade do solo comprometem a produtividade agrícola. Este estudo teve como objetivo analisar os aspectos socioeconômicos e agronômicos do cultivo da mandioca em comunidades ribeirinhas de Portel (Vila Gomes, Castanhal, Santo Ezequiel e Santa Luzia), considerando indicadores demográficos, sociais e econômicos, além da avaliação química dos solos. Os resultados apontaram que a mandioca é uma fonte vital de alimento e renda, embora as comunidades enfrentem baixa qualidade de vida devido à falta de infraestrutura básica. A análise dos solos revelou a necessidade de correções químicas para neutralizar a acidez e melhorar a fertilidade, especialmente nas comunidades que deram menores índices de qualidade do solo na pesquisa. Além disso, destaca-se a importância de capacitar os agricultores familiares em práticas sustentáveis para aumentar a produtividade e garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade socioeconômica dessas comunidades.
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MARCOS VINICIUS AFONSO CABRAL
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Os processos socioambientais e de saúde da população ribeirinha de Barcarena-Pará a partir dos constrangimentos ambientais causados pela mineração
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Orientador : JOSE AUGUSTO CARVALHO DE ARAUJO
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Data: 08/01/2025
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A mineração por se tratar de um dos setores básicos da economia brasileira contribui significativamente para a economia do estado Pará. Os problemas envolvendo as questões sociais e os direitos das populações locais ainda é um problema de difícil solução, tanto pelas empresas envolvidas quanto pelo poder público, seja estadual, municipal ou federal. A questão da saúde e dos impactos socioambientais dessas populações passa ser de suma importância para as áreas das pesquisas que envolve a mineração em nosso estado, considerando que o próprio estado terá de se responsabilizar financeiramente pelos custos sociais e econômicos após as consequências resultante da exploração mineral. O interesse pelo assunto nasceu da inquietação sobre a temática dos impactos na saúde, socioambientais e socioeconômicos da mineração. Diante disso, o presente trabalho buscou analisar, por meio de pesquisa de campo, dados secundários e revisão bibliográfica de estudos de análise de indicadores de impactos socioambientais e de saúde utilizados para promover o desenvolvimento sustentável, a ocorrência de impactos sociais, econômicos e ambientais, decorrentes do desenvolvimento e encerramento da atividade mineradora, suportados pelas comunidades ao entorno de Barcarena-PA. A pesquisa tem como objetivo geral analisar dos principais impactos provenientes do desenvolvimento das atividades da mineração e suas implicações para a saúde da população de vila do Conde em Barcarena-PA. Os resultados encontrados mostraram que a comunidade de Vila do Conde foi atingida por uma série de ocorrências ambientais significativos nos seus modos de vidas e produtividade. Os efeitos nas terras da região estavam diretos ou indiretamente relacionados à extração e exportação da bauxita e seus subprodutos. O estudo conclui que é necessário um maior envolvimento e comprometimento dos poderes públicos, das empresas e da sociedade civil para garantir a saúde e a qualidade de vida dos moradores de Vila do Conde, bem como a preservação do meio ambiente e da diversidade cultural da região amazônica.
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PHAMELLA BELEM REIS
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ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DAS DOENÇAS TROPICAIS NEGLIGENCIADAS DE TRANSMISSÃO VETORIAL NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM –PA
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Orientador : CLEA NAZARE CARNEIRO BICHARA
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Data: 08/01/2025
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As Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) são compostas por um grupo de 20 doenças causadas por parasitas ou agentes infecciosos que afetam todo o território mundial, principalmente os países subdesenvolvidos, onde estas são gerada e perpetuadas pelas desigualdades sociais, econômicas e ambientais, além de sua incidência ser estabelecida pelo desenvolvimento de uma região, englobando condições de moradia, água potável, saneamento e educação em saúde precária. Esta pesquisa pretendeu analisar o cenário epidemiológico das doenças tropicais negligenciadas de transmissão vetorial na Região Metropolitana de Belém – PA. Trata-se de um estudo do tipo epidemiológico classificado como descritivo e transversal, entre o período de 2017-2022, que foi trabalhado com dados secundários, disponíveis, coletados e ordenados em bancos de dados como o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN), Sistema de Informação do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose (SISPCE) e disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde (SESMA), Secretaria de Estado da Saúde do Pará (SESPA), além de uma fundamentação teórica da ecoepidemiologia local quanto a essas enfermidades. Durante o período do estudo foi possível observar a ocorrência de número de casos notificados perante a incidência das mesmas, entretanto, em algumas doenças ainda não há informações oficiais de transmissão autóctone na área de estudo. Desse modo, tais registros hipoteticamente foram de pacientes que estavam sob tratamento fora do município de residência. Assim, é fundamental que estratégias preventivas e educacionais sejam adotadas, com o intuito de reduzir a incidência de DTNS nas áreas endêmicas da região Amazônica.
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JULIANA GOMES DE ARAUJO
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A REINVENÇÃO DA BIOECONOMIA PARA A AMAZÔNIA: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO CONCEITO SOB A PERSPECTIVA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL E NO ESTADO DO PARÁ
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Orientador : ALTEM NASCIMENTO PONTES
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Data: 17/01/2025
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O Brasil tem sido retratado como o palco ideal para o desenvolvimento da bioeconomia devido à magnitude da biodiversidade da floresta amazônica e ao seu papel crucial na regulação do clima global. Diversas ações governamentais tem surgido para impulsionar o desenvolvimento para uma economia sustentável no país, no entanto, a partir de uma análise crítica das políticas públicas propostas nos últimos anos, observa-se que as visões divergentes sobre o conceito, parâmetros de medição e valores da bioeconomia inviabilizam a sua operacionalização, uma vez que o modelo vigente tende a repetir as velhas práticas coloniais de exploração dos recursos naturais, como a produção em larga escala de biomassa e commodities, e tendem a desconsiderar a riqueza intrínseca da floresta, bem como o potencial de sua sociobiodiversidade. Este trabalho objetivou examinar criticamente os conceitos de bioeconomia, a partir da análise dos documentos oficiais publicados nos últimos anos no Brasil, para a região amazônica e no Estado do Pará, enquanto questiona se essas políticas públicas promovem a sustentabilidade. As etapas metodológicas utilizadas nesta pesquisa incluíram análise documental e análise de conteúdo enquanto método qualitativo. A análise documental permitiu a classificação e indexação dos documentos oficiais; já a análise de conteúdo facilitou a categorização temática e a codificação das mensagens, na forma de expressão do conteúdo dos documentos analisados. A pesquisa demonstra as contradições das políticas para a região amazônica, evidenciando como a bioeconomia foi reinventada e atua como endosso às lógicas de exploração vigentes no país desde a sua colonização que, calcadas em projetos desenvolvimentistas, tendem a aumentar a marginalização dos seus habitantes, desrespeitando os limites da natureza, os saberes seculares e territórios dos povos da floresta, enquanto priorizam interesses econômicos de grandes corporações e a produção em larga escala, resultando na perpetuação da desigualdade social e na crescente degradação ambiental. Os dados levantados demonstram como o potencial da bioeconomia da chamada “floresta em pé” pode ser mais rentável a longo prazo que a política bio-based, ressaltando a necessidade da definição de uma bioeconomia específica para a Amazônia, que respeite seus limites ambientais e valorize os saberes e o protagonismo dos povos que vivem na floresta e a partir dessas premissas, estabelecer mecanismos de governança local. A criação de um plano nacional de bioeconomia, cuja prioridade seja a conservação da biodiversidade da Amazônia que desacelere o desmatamento, é fundamental para a sustentabilidade global e para o desenvolvimento da bioeconomia local, bem como o investimento em biotecnologia e aporte de recursos equivalente à magnitude do projeto, a fim de realizar a transição para uma bioeconomia verdadeiramente sustentável.
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AILA DA SILVA MENDES
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Análise Geoespacial das Transformações Territoriais no Município de Parauapebas: Dinâmicas de Urbanização e Alterações Topográficas (2000-2022)
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Orientador : NORMA ELY SANTOS BELTRAO
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Data: 31/01/2025
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Este estudo unificou análises de uso e cobertura da terra e de modificações altimétricas no município de Parauapebas (PA) entre 2000 e 2022, evidenciando como o acelerado processo de urbanização e a expansão das atividades mineradoras impactaram tanto a paisagem quanto o relevo local. Com base em dados de uso e cobertura obtidos do MapBiomas (Coleção 7) e processados em plataformas como Google Earth Engine e QGIS, observou-se crescimento urbano expressivo, acompanhado pela redução de áreas naturais (formação florestal e pastagens) e pela ampliação de áreas de mineração. As pressões econômicas e demográficas resultaram em perdas significativas de vegetação nativa, afetando particularmente Áreas de Preservação Permanente. Paralelamente, a investigação sobre alterações altimétricas utilizou modelos digitais de elevação (SRTM e Copernicus DEM) para comparar mudanças de relevo. Mapas de diferenças altimétricas, análises estatísticas descritivas e representações gráficas (histogramas e boxplots) evidenciaram variações mais intensas em loteamentos urbanos, principalmente em decorrência de terraplenagem e aterramento. Fora desses loteamentos, as mudanças tendem a ser mais heterogêneas, refletindo múltiplos usos do solo.Os resultados demonstram que o crescimento urbano desordenado e a intensificação da mineração acarretaram transformações marcantes tanto no uso da terra quanto na topografia, corroborando a urgência de políticas de planejamento e gestão ambiental que equilibrem desenvolvimento econômico e conservação. Assim, o estudo contribui para a compreensão dos processos de urbanização em regiões mineradoras e oferece subsídios à formulação de estratégias sustentáveis, fundamentais para mitigar impactos futuros sobre os ecossistemas e o relevo local.
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EDUARDA RANDEL GUIMARAES SOUZA
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A qualidade da água do igarapé de Santo Antônio do Tauá: avaliação ambiental e impactos da sazonalidade
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Orientador : HEBE MORGANNE CAMPOS RIBEIRO
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Data: 19/02/2025
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A água é recurso essencial para a vida, desempenhando um papel fundamental em inúmeras atividades humanas e também nos processos naturais para o funcionamento dos ecossistemas. No entanto, a qualidade da água tem sido cada vez mais comprometida devido a uma série de fatores, incluindo ações humanas (desmatamento, urbanização e atividades industriais) e influências ambientais (sazonalidade), nos quais podem afetar diretamente na dinâmica dos corpos hídricos. A presente pesquisa teve como objetivo a avaliação da qualidade da água do igarapé de Santo Antônio, em Santo Antônio do Tauá, Pará. Foram coletadas de amostras de água em pontos estratégicos ao longo do curso d’água, nas quais foram efetuadas suas avaliações dos parâmetros físico-químico e microbiológico, conforme os procedimentos e recomendações descritos no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. Posteriormente, realizou-se a comparação dos dados obtidos com os limites estipulados pelas legislações do CONAMA nº 357, 274, Portaria GM/MS 888 e suas possíveis correlações com os fatores ambientais (sazonalidade) e antrópicos relatados na literatura, visualizadas in situ e por análises estatísticas. Com base nos resultados, concluiu-se que igarapé de Santo Antônio está sujeito a influências humanas e a sazonalidade em sua proximidade, o que pode comprometer a integridade do ecossistema aquático. Dessa forma, é fundamental a implementação de medidas eficazes de controle e gestão para preservar os recursos hídricos e garantir a saúde ambiental e humana.
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DANDARA NOBRE DE OLIVEIRA NASCIMENTO
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Dinâmicas Socioecológicas e Agrobiodiversidade na Agricultura Familiar da Comunidade de Caruaru, na Ilha de Mosqueiro, Belém, PA
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Orientador : ANA CLAUDIA CALDEIRA TAVARES MARTINS
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Data: 28/02/2025
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Os conhecimentos ecológicos de comunidades tradicionais, agricultores familiares e extrativistas são fundamentais para a conservação da agrobiodiversidade. Em Caruaru, comunidade tradicional no Parque Municipal da Ilha de Mosqueiro, Belém, a construção de uma estrada ligando-a à PA-391 intensificou pressões externas, transformando suas dinâmicas socioeconômicas e ambientais. Nesse cenário, compreender a agrobiodiversidade e sua preservação nas práticas econômicas locais é essencial para a sustentabilidade da comunidade. Esta pesquisa investiga o conhecimento ecológico local (CEL), as dinâmicas socioecológicas e a agrobiodiversidade no agroextrativismo, com dois objetivos: (i) analisar, por meio das percepções, saberes e práticas agroextrativistas da comunidade de Caruaru, as dinâmicas socioecológicas dessas atividades; e (ii) investigar a agrobiodiversidade vegetal mantida nessas práticas econômicas, explorando seus usos, relevância e fatores socioculturais e econômicos que a influenciam. O estudo foi realizado em Caruaru, Ilha de Mosqueiro, Belém (PA), por meio de 19 entrevistas semiestruturadas com agroextrativistas locais. Os formulários coletaram informações sobre perfil sociodemográfico, manejo dos agroecossistemas, percepção ambiental e espécies mantidas nas atividades agroextrativistas. A análise dos dados foi feita por meio de análise de conteúdo. Os principais agroecossistemas identificados foram Quintais Agroflorestais (QA), Roças, Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Monocultivo de açaí. O conhecimento etnobotânico destacou-se entre mulheres e adultos de meia-idade, refletindo a transmissão intergeracional e a divisão de trabalho familiar. As etnoespécies mais citadas foram cupuaçu (18), açaí (18), uxi (16), piquiá (12) e pupunha (12), essenciais para a cultura alimentar local. O açaí (R$ 64.800,00/ano) e a mandioca (R$ 43.500,00/ano) foram os produtos de maior impacto econômico. Contudo, a expansão do açaí tem substituído roças, comprometendo a sustentabilidade dos cultivos. A busca por rentabilidade, sem assistência técnica e incentivos, altera os sistemas tradicionais, impactando a diversidade agrícola e os modos de vida locais. Assim, práticas agroflorestais diversificadas são essenciais para a sustentabilidade econômica e ambiental da comunidade.
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DENILSON BARRETO DA LUZ
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Análise de elementos socioambientais da cadeia de suprimentos do abacaxi no município de Salvaterra, Amazônia Oriental
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Orientador : HELIO RAYMUNDO FERREIRA FILHO
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Data: 10/03/2025
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O Abacaxi é uma das frutas mais consumidas e produzidas no Brasil, com o Pará se destacando como maior produtor nacional. Entretanto, a cadeia de suprimentos do abacaxi na região amazônica carece de estudos que abordem seus elos e atores. O objetivo foi analisar a cadeia de suprimentos do abacaxi em uma cooperativa agrícola no município de Salvaterra, mesorregião do Marajó, Pará. Foram coletados dados quali-quantitativos de 26 produtores da Cooperativa da Agricultura Familiar do Marajó (COOPAFAM), utilizando questionários, estatística descritiva e análise SWOT. No contexto socioeconômico, a maioria dos produtores possui experiência consolidada na produção de abacaxi, mas enfrenta desafios de sucessão familiar. A baixa escolaridade, com 50% dos produtores com ensino fundamental incompleto, reflete a carência de escolas na zona rural. Em termos de infraestrutura, 80,8% vivem em casas de alvenaria com acesso à energia e água, embora 38,5% não tenham coleta de resíduos sólidos. O cultivo de abacaxi, principal fonte de renda, é complementada por outras atividades agrícolas, e muitos se beneficiam de programas governamentais. A assistência técnica é limitada, com 61,5% dos produtores sem capacitação. Os resultados indicam que há desafios como baixa tecnificação, falta de capacitação, métodos tradicionais e dificuldades na regularização fundiária e ambiental. Em contrapartida, a diversificação produtiva e o potencial de mercado oferecem oportunidades para expansão e modernização. Políticas públicas eficazes e inovações tecnológicas, são fundamentais para aprimorar a eficiência e garantir o desenvolvimento a longo prazo da cadeia de suprimentos na região.
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SUELLEM COIMBRA DE CAMPOS
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Qualidade ambiental de um rio na Província Mineral de Carajás:bioindicação por macroinvertebrados aquáticos
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Orientador : ANA LUCIA NUNES GUTJAHR
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Data: 27/03/2025
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Ecossistemas aquáticos em estado de vulnerabilidade ou degradação refletem por meio de comunidades biológicas os impactos ambientais sofridos, oriundos do crescimento demográfico acelerado e da expansão urbana sem planejamento. Neste contexto, objetivou-se com este estudo avaliar as condições ambientais do rio Parauapebas, em perímetros urbanos do município de Parauapebas – PA utilizando a macroinvertebrados aquáticos. A coleta biológica ocorreu no período chuvoso, ao longo da margem direita do rio em quatro áreas urbanas da cidade. Foram dispostos cinco pontos de coleta por área, em intervalos de 15m, gerando um total de 20 amostras. Para captura dos macroinvertebrados, foi utilizada uma rede de coleta tipo D posicionada contra corrente, passada 15 vezes ao longo da coluna d'água e na vegetação das margens do rio. Foram capturados 9.766 espécimes de 55 famílias, sendo a classe Insecta a mais expressiva com 38 famílias. Os índices bióticos mostraram diferenças na qualidade da água entre as áreas e pontos de coleta, decorrentes das condições ambientais de cada área. A área A1 foi a que apresentou maior riqueza de famílias dos organismos sensíveis e a A2, maior abundância de fauna resistente. A análise de similaridade evidenciou os piores níveis de qualidade da água nas áreas (A2 e A3), e, entre as áreas com menor grau de deterioração (A1 e A4). Foi possível identificar com esta pesquisa, os fatores que comprometem a qualidade ambiental da água do rio Parauapebas e consequentemente, prejudicam os ecossistemas aquáticos como um todo, além de aumentar os riscos ao bem-estar da população.
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VITORIA MENEZES DA COSTA
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OS PROCESSOS MITIGATÓRIOS E ADAPTATIVOS DAS POPULAÇÕES LOCAIS EM ÁREAS PERIFÉRICAS EM SITUAÇÃO DE ESTRESSE E VULNERABILIDADE SOCIAL
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Orientador : JOSE AUGUSTO CARVALHO DE ARAUJO
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Data: 30/03/2025
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A região Norte tem os índices de pobreza mais altos do país e uma alta taxa de
desigualdade, dessa forma, é a região que apresenta os maiores índices de vulnerabilidade
social, podendo experienciar situações de estresse, ansiedade e até depressão devido a
falta de oportunidades. Este trabalho objetiva reunir dados a respeito dos índices de
vulnerabilidade na região Norte do Brasil, com maior foco para o estado do Pará, além de
abordar estratégias de mitigação e adaptação e o estresse ocasionado por esses processos,
através de uma pesquisa descritiva utilizando dados secundários do IBGE, PNAD e IPEA,
focando em coleta de lixo, abastecimento de água e esgoto, renda média e desemprego.
Podemos observar que a região Norte tem a menor porcentagem de abastecimento de água
e atendimento de rede de esgoto, sendo que a menor parte deste é tratado, além da ampla
utilização de lixões a céu aberto como destinação final de resíduos. A região Norte
também possui a segunda menor renda do país, apesar de baixa taxa de desocupação. Os
impactos causados por desastres ambientais, ou dificuldade de acesso a necessidades
básicas por falta de renda mínima, pode afetar drasticamente a saúde mental de pessoas
em vulnerabilidade, as privando dos seus direitos, acesso ao conhecimento e de serviços
de saúde de apoio, evidenciando a necessidade de uma intervenção na conscientização desta população e de políticas públicas eficazes capazes de atender as suas demandas,
além de uma justiça ambiental que aja a favor dos direitos dessas comunidades
protegendo suas vidas, culturas e raízes.
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JULIANA HIROMI EMIN UESUGI
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Lipases bacterianas: Produção, otimização e aplicação na biorremediação de ambientes contaminados por óleo
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Orientador : ALTEM NASCIMENTO PONTES
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Data: 29/04/2025
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As lipases (E.C.3.1.1.3) pertencem ao grupo das hidrolases e são responsáveis pela hidrólise do triglicerídeos em glicerol e ácidos graxos. As lipases bacterianas têm se tornado alvo de inúmeras pesquisas nos últimos anos devido sua estabilidade, especificidade, baixo custo de manutenção e por serem sustentáveis. Uma característica particular deste grupo de enzimas é a sua versatilidade em inúmeros processos químicos, uma vez que elas podem realizar reações de hidrólise, esterificação, transesterificação e interesterificação. Entre as aplicações destas enzimas estão a indústria farmacêutica, alimentícia, biocombustíveis e biorremediação. O objetivo deste trabalho foi investigar a produção de lipases por bactérias, otimizar as enzimas e avaliar a sua capacidade de biorremediação de ambientes contaminados. As amostras utilizadas foram provenientes de água e sedimentos de dois afluentes do rio Igarapé-açu, localizado no interior do estado do Pará. Para o isolamento, foram utilizados os meios de cultura Ágar Nutriente, Czapek Dox e Extrato de Malte, e as bactérias foram caracterizadas quanto a sua morfologia, bioquímica e identificadas pela técnica de MALDI-TOF. A produção enzimática foi avaliada em ágar Tween-80 e ágar Rodamina B, e para a avaliação quantitativa das enzimas foi realizada por fermentação submersa, utilizando a técnica de espectrofotometria de p-Nitrofenol Palmitato (p-NPP). As cepas que apresentaram as maiores atividades enzimáticas foram selecionadas para os testes de otimização, em que foram analisadas temperatura, pH, salinidade, fonte de carbono, tempo de incubação e indutores. Além disso, foram feitos testes de estabilidade a solventes orgânicos pelas cepas e testes de biorremediação com azeite de oliva e hidrocarbonetos derivados do petróleo. Foram isoladas 26 bactérias, com uma predominância de bacilos Gram-positivos entre as cepas. No teste de produção de lipases, 17 cepas foram positivas para Tween-80 e/ou Rodamina B. A partir do teste de degradação do p-NPP, as cepas P21 e P22 apresentaram maior atividade enzimática entre os isolados. Para os testes de otimização, as cepas P21 e P22 foram renomeadas como P2F MAL e P2F CZA, respectivamente. A cepa P2F MAL produziu lipases em maior quantidade a 40 °C, pH 7, 0,5 % de NaCl e 144 h de incubação. A cepa P2F CZA teve produção máxima a 20 °C, pH 8, 0,5% NaCl e 168 h de incubação. A glicose, Tween-80 e o azeite de oliva não obtiveram diferenças significativas na produção enzimática para nenhuma das cepas. As lipases também apresentaram estabilidade aos solventes orgânicos, principalmente ao etanol para ambas as cepas. No teste de biodegradação do azeite, as cepas apresentaram percentuais de degradação superiores a 50%, enquanto que nos testes de biorremediação de óleo de motor, a cepa P2F MAL degradou 28% e a P2F CZA degradou 34% dos hidrocarbonetos. Os resultados indicam que as enzimas obtidas possuem um grande potencial para produção em larga escala, devido à sua alta estabilidade a diversas condições de crescimento, além de serem candidatas para utilizar em processos de biorremediação. Portanto, estudos mais aprimorados acerca da otimização e das melhores condições para a biorremediação são fundamentais para a aplicação das enzimas em escala industrial.
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CAROLINE FERREIRA FERNANDES
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Degradação de hidrocarbonetos derivados do petróleo por bactérias isoladas de sedimentos marinhos costeiros amazônicos
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Orientador : ALTEM NASCIMENTO PONTES
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Data: 30/04/2025
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O uso intensivo de petróleo e de seus derivados está relacionado com uma maior frequência de acidentes envolvendo a liberação de poluentes altamente nocivos aos ecossistemas. O uso de bactérias para a intervenção destes efeitos, através da biorremediação, tem sido uma alternativa mais viável e custo-efetiva em comparação ao uso de técnicas físico-químicas, pois é capaz de promover a mineralização destes compostos e convertê-los a subprodutos menos ou não tóxicos. Por habitarem ecossistemas com condições adversas de temperatura, salinidade, exposição a luz UV, pH e competitividade por nutrientes, as bactérias marinhas desenvolveram uma grande variedade de biomoléculas aptas a serem aplicadas diversos setores de produção, especialmente, para a remoção e biodegradação de contaminantes, que as tornaram prioridades de prospecção. Dessa forma, por se tratar de uma área promissora e que carece de estudos quanto se trata das Zonas Costeiras Amazônicas (ZCA), este trabalho objetivou descrever pela primeira vez a diversidade de bactérias cultiváveis isoladas de sedimentos marinhos costeiros da Ilha de Algodoal-Maiandeua, situada na Amazônia Oriental, Nordeste do Estado do Pará, Brasil. Também buscou-se isolar e identificar bactérias hidrocarbonoclásticas com potencial de aplicação em técnicas de biorremediação. Os sedimentos foram coletados, processados e semeados em cinco meios de culturas (Columbia Agar, Starch M-Protein Agar (SMA), Tryptic Soy Agar (TSA), R2 Agar (R2A) e Cyzapeck) em que, após o período de incubação, as colônias foram purificadas, classificadas morfologicamente, bioquimicamente e testadas quanto a capacidade de biodegradação de hidrocarbonetos derivados do petróleo e produção de biossurfactantes. 89 bactérias foram isoladas dos sedimentos marinhos das praias da ilha de Algodoal-Maiandeua, 29 destas foram obtidas da praia de Fortalezinha, 34 da Caixa D’água e 26 da praia da Princesa. Embora tenha sido usados meios de cultivo distintos, observou-se um melhor desenvolvimento das colônias que estavam crescendo em SMA e Columbia. 46 isolados foram capazes de decompor todos os substratos utilizados nos ensaios (hexadecano, querosene, diesel e óleo de motor usado). Os maiores percentuais de degradação obtidos foram das cepas AM41 e AM12 que foram capazes de degradar 84.82 e 71.69% do óleo diesel e n-hexadecano, respectivamente. As estirpes AM36 e AM5 foram capazes de produzir compostos com propriedades surfactantes notórios que podem ser investigadas para avaliar seu potencial de aplicação como dispersante. As bactérias encontradas na região costeira amazônica demonstraram capacidades promissoras quanto ao consumo de contaminantes frequentes da região como o Diesel e o óleo de motor além dos hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos que podem ser aproveitados para técnicas de biorremediação.
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CAROLINE FERREIRA FERNANDES
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Degradação de hidrocarbonetos derivados do petróleo por bactérias isoladas de sedimentos marinhos costeiros amazônicos
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Orientador : ALTEM NASCIMENTO PONTES
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Data: 30/04/2025
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O uso intensivo de petróleo e de seus derivados está relacionado com uma maior frequência de acidentes envolvendo a liberação de poluentes altamente nocivos aos ecossistemas. O uso de bactérias para a intervenção destes efeitos, através da biorremediação, tem sido uma alternativa mais viável e custo-efetiva em comparação ao uso de técnicas físico-químicas, pois é capaz de promover a mineralização destes compostos e convertê-los a subprodutos menos ou não tóxicos. Por habitarem ecossistemas com condições adversas de temperatura, salinidade, exposição a luz UV, pH e competitividade por nutrientes, as bactérias marinhas desenvolveram uma grande variedade de biomoléculas aptas a serem aplicadas diversos setores de produção, especialmente, para a remoção e biodegradação de contaminantes, que as tornaram prioridades de prospecção. Dessa forma, por se tratar de uma área promissora e que carece de estudos quanto se trata das Zonas Costeiras Amazônicas (ZCA), este trabalho objetivou descrever pela primeira vez a diversidade de bactérias cultiváveis isoladas de sedimentos marinhos costeiros da Ilha de Algodoal-Maiandeua, situada na Amazônia Oriental, Nordeste do Estado do Pará, Brasil. Também buscou-se isolar e identificar bactérias hidrocarbonoclásticas com potencial de aplicação em técnicas de biorremediação. Os sedimentos foram coletados, processados e semeados em cinco meios de culturas (Columbia Agar, Starch M-Protein Agar (SMA), Tryptic Soy Agar (TSA), R2 Agar (R2A) e Cyzapeck) em que, após o período de incubação, as colônias foram purificadas, classificadas morfologicamente, bioquimicamente e testadas quanto a capacidade de biodegradação de hidrocarbonetos derivados do petróleo e produção de biossurfactantes. 89 bactérias foram isoladas dos sedimentos marinhos das praias da ilha de Algodoal-Maiandeua, 29 destas foram obtidas da praia de Fortalezinha, 34 da Caixa D’água e 26 da praia da Princesa. Embora tenha sido usados meios de cultivo distintos, observou-se um melhor desenvolvimento das colônias que estavam crescendo em SMA e Columbia. 46 isolados foram capazes de decompor todos os substratos utilizados nos ensaios (hexadecano, querosene, diesel e óleo de motor usado). Os maiores percentuais de degradação obtidos foram das cepas AM41 e AM12 que foram capazes de degradar 84.82 e 71.69% do óleo diesel e n-hexadecano, respectivamente. As estirpes AM36 e AM5 foram capazes de produzir compostos com propriedades surfactantes notórios que podem ser investigadas para avaliar seu potencial de aplicação como dispersante. As bactérias encontradas na região costeira amazônica demonstraram capacidades promissoras quanto ao consumo de contaminantes frequentes da região como o Diesel e o óleo de motor além dos hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos que podem ser aproveitados para técnicas de biorremediação.
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ELISANGELA CRISTINA MARTINS DA SILVA
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Gerenciamento de Resíduos Sólidos no município de Parauapebas (Pará) e sua relação para com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)
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Orientador : CARLOS ELIAS DE SOUZA BRAGA
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Data: 16/05/2025
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A geração de resíduos é o produto resultante de diversas atividades desenvolvidas pela humanidade com um gerenciamento eficaz desafiador ao poder público e a sociedade em geral, para evitar danos ao meio ambiente e saúde pública. No Brasil, em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), classificou e identificou os resíduos como: (1) Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) e (2) Resíduos de Serviços de Saúde (RSS); além de outras categorias. Também a PNRS instituiu a maior legislação para uma gestão adequada no manejo de resíduos. O objetivo desse estudo foi avaliar as práticas existentes no gerenciamento de resíduos sólidos do município de Parauapebas, comparando-as às exigências da legislação vigente e propor sugestões efetivas à Gestão Pública de Parauapebas. Para isso realizou-se uma pesquisa de natureza aplicada e comparativa, de abordagem qualiquantitativa e exploratório, utilizando-se dados secundários da Secretaria Municipal de Urbanismo, para RSU através do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico e dados da Secretaria Municipal de Saúde sobre RSS. Foi observado a relação direta do aumento de resíduo sólido urbano com o aumento da população, não há coleta seletiva nos órgãos públicos do município, incluindo os órgãos de saúde, não há cooperativas ou associações de reciclagem com apoio municipal, além de a destinação final ser o aterro controlado municipal. Embora, a Prefeitura possua práticas de que atendem de forma parcial às legislações vigentes, ainda precisam de adequações tanto para RSU quanto para RSS, especialmente no que é determinado pela PNRS que é a redução da geração de resíduos, através de incentivo a reciclagem, reutilização e compostagem para aumentar o tempo de vida útil de aterros sanitários e promoção de ações de Educação Ambiental que fomentem políticas públicas norteadoras de menor consumismo, mais saúde a população, oportunidades sociais, preservação da Amazônia e do Planeta, garantindo o direito de existência às gerações futuras em ambiente saudável. Essa dissertação foi dividida em dois capítulos, contemplando um artigo sobre Gerenciamento dos RSU e outro sobre RSS em Parauapebas, para facilitar a compreensão do leitor.
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PATRICK BENTES BRAGA
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A SAÚDE E (IN) JUSTIÇA SOCIAL: REFLEXOS DA EXPLORAÇÃO DA BAUXITA NO MUNICÍPIO DE BARCARENA – PARÁ
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Orientador : CARLOS ELIAS DE SOUZA BRAGA
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Data: 20/05/2025
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A presente pesquisa analisa os impactos socioambientais e de saúde pública decorrentes da atividade mineradora, no que concerne o refinamento da bauxita, minério responsável pala produção de alumínio no município de Barcarena, Pará. Com foco nas desigualdades sociais e ambientais associadas à atividade mineradora. O estudo baseia-se em uma revisão sistemática da literatura e em uma investigação de campo realizada no bairro de Murucupi, área diretamente afetada pela atuação de empresas mineradores. A primeira etapa da pesquisa identificou problemas como desmatamento, poluição hídrica e atmosférica, contaminação por metais pesados e deslocamento de comunidades tradicionais. Constatou-se que, embora a mineração traga retorno econômico, persistem graves deficiências na aplicação dos royalties e nos serviços públicos essenciais, como saneamento, saúde e infraestrutura. Há aumento expressivo de doenças entre os moradores, especialmente em comunidades próximas a barragens de rejeitos, revelando falhas na fiscalização ambiental e nas políticas públicas. Na etapa de campo, com abordagem qualiquantitativa, foram aplicados questionários e realizadas observações diretas. Os resultados mostram que a população do bairro Murucupi, em Barcarena é majoritariamente parda, com baixa escolaridade, múltiplos filhos e acesso precário a serviços básicos. Foram registradas doenças respiratórias e dermatológicas associadas à exposição de rejeitos da mineração. A presença prolongada dos moradores em áreas contaminadas intensifica sua vulnerabilidade. A análise apoia-se nos conceitos de justiça ambiental, racismo ambiental e direito à saúde, evidenciando que a mineração em Barcarena perpetua desigualdades estruturais e viola direitos fundamentais. As comunidades atingidas permanecem invisibilizadas pelo modelo de desenvolvimento extrativista vigente. Conclui-se que é urgente a adoção de políticas públicas reparadoras, com foco na sustentabilidade, transparência na gestão dos recursos e participação popular. O estudo contribui para o debate sobre a justiça socioambiental, ao propor caminhos para práticas mais equitativas no setor mineral.
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LETICIA MANUELA CASIMIRO DAMASCENO COSTA
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USO DE DADOS LIDAR PARA QUANTIFICAÇÃO DE BIOMASSA EM MANGUEZAIS TROPICAIS
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Orientador : NORMA ELY SANTOS BELTRAO
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Data: 12/06/2025
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Investigou-se a aplicação de tecnologias de sensoriamento remoto LiDAR (Light Detection and Ranging) para medir a biomassa em manguezais tropicais, com foco na área amazônica, por meio de dois artigos que se complementam. O primeiro artigo conduziu uma análise sistemática sobre a utilização do LiDAR nestes ecossistemas, evidenciando sua eficácia na estimativa tridimensional de biomassa em comparação aos métodos convencionais, embora tenha apontado dificuldades como altos custos e a necessidade de validação em campo. A revisão sistemática de literatura ainda revelou uma falta de estudos sobre manguezais no Brasil, com a maioria das pesquisas concentradas na Ásia. O segundo artigo levou esses conhecimentos para a Reserva Extrativista Filhos do Mangue (PA), utilizando dados LiDAR do satélite GEDI da NASA e imagens multiespectrais do Sentinel-2, através de algoritmos de aprendizado de máquina. Os resultados mostraram que essa abordagem integrada é viável, com um modelo de Random Forest atingindo um R² de 0,57, capaz de mapear a variabilidade da biomassa (0,15 - 175,23 Mg/ha) e identificar regiões prioritárias para conservação. A pesquisa destaca o potencial dessas tecnologias para o monitoramento do carbono azul em manguezais, enquanto também ressalta a importância de desenvolver metodologias mais acessíveis e ajustadas às características dos ecossistemas tropicais, contribuindo para políticas de conservação fundamentadas em dados científicos sólidos.
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LARISSA COELHO PEREIRA SILVA
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Composição florística e estrutura fitossociológica da regeneração natural de floresta secundária de Várzea no Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna
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Orientador : MANOEL TAVARES DE PAULA
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Data: 17/06/2025
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Este estudo analisou a regeneração natural de árvores em um fragmento de várzea no Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna, na Região Metropolitana de Belém (RMB). Esse parque, classificado como Unidade de Conservação, desempenha um papel essencial na preservação da biodiversidade amazônica. As florestas de várzea, situadas próximas a rios e lagos, apresentam menor diversidade de espécies devido à adaptação às inundações sazonais, que influenciam o estabelecimento das plantas. Foram instaladas 16 parcelas contínuas de 25 m², distribuídas em quatro transectos, cada um contendo quatro parcelas de 5x5 metros. A regeneração foi avaliada pelo diâmetro à altura do peito (DAP) dos indivíduos, permitindo estimar frequência, dominância, densidade e valor de importância das espécies. Registraram-se 285 indivíduos, pertencentes a 66 espécies, 56 gêneros e 38 famílias. As espécies com altura superior a 1 metro foram identificadas in loco com auxílio de um parabotânico e classificadas conforme o Sistema APG IV (2016) e a Lista de Espécies da Flora do Brasil. Os resultados indicam uma regeneração significativa no Parque Estadual do Utinga, destacando a importância da conservação desse fragmento de várzea para a manutenção da biodiversidade e o equilíbrio ecológico da região.
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RUY ADRYAN DA SILVA COSTA
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Avaliação econômica de Sitema Agroflorestais utilizados pela agricultura familiar na Amazônia Brasileira
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Orientador : MANOEL TAVARES DE PAULA
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Data: 25/07/2025
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A crescente preocupação com os impactos ambientais e a necessidade de alternativas sustentáveis na agricultura motivaram este estudo, que teve como objetivo avaliar economicamente diferentes sistemas agroflorestais (SAF) utilizados pela agricultura familiar na Amazônia brasileira. Três modelos de SAF foram analisados: SAF1 (café, cacau e teca), SAF2 (cacau, pupunha e freijó) e SAF3 (cacau, coco e gliricídia), considerando custos, receitas e indicadores financeiros ao longo de um período de 30 anos. A avaliação econômica baseou-se nos indicadores Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Relação Benefício-Custo (RBC), utilizando uma taxa de desconto de 3% ao ano. Os resultados indicaram que todos os SAF são economicamente viáveis, apresentando VPLs positivos: R$ 1.112.852,35 (SAF1), R$ 909.925,91 (SAF2) e R$ 952.380,87 (SAF3). O SAF1 destacou-se por apresentar o maior VPL e TIR (70,33%), indicando maior atratividade econômica. O SAF3 apresentou a maior relação custo-benefício (12,7), indicando o maior retorno proporcional por real investido. A análise de custos revelou dinâmicas diferentes entre mão de obra e insumos em cada sistema, refletindo as particularidades das espécies cultivadas. Conclui-se que os SAFS analisados representam alternativas promissoras para a agricultura familiar na Amazônia, combinando viabilidade econômica, diversificação de renda e benefícios ambientais, como melhoria da estrutura do solo e promoção da biodiversidade. Assim, os SAFS contribuem para a sustentabilidade socioeconômica e ecológica da região.
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AZENATE DOS SANTOS ARAUJO
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A pesca artesanal de camarão com ênfase no município de Curuçá, Pará, Brasil
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Orientador : ANA LUCIA NUNES GUTJAHR
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Data: 28/07/2025
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A pesca artesanal de camarão é uma atividade comum praticada em várias regiões do Brasil e consequentemente no estado do Pará. apresenta grande importância para comunidades tradicionais, sendo fonte de renda e de subsistência. Contudo, é considerada uma prática generalista tendo em vista que as ferramentas utilizadas capturam uma grande quantidade de espécies de camarão e fauna acompanhante. Desse modo, esse trabalho tem como objetivo realizar um estudo sobre aspectos metodológicos, socioeconômicos e ambiental e avaliar a composição da carcinofauna e da fauna acompanhante da pesca artesanal de camarão nas comunidades de Curuperé e Areia Branca, no Município de Curuçá, Pará, Brasil. O primeiro capítulo apresenta um levantamento das publicações disponíveis, referente aos métodos de pesca artesanal de camarão no Brasil, em uma série cronológica de 21 anos, pontuando as práticas mais comuns, a descrição dos apetrechos de pesca e os impactos socioambientais resultantes dessa prática. Os resultados mostraram que há poucos trabalham que abordam a pesca artesanal de camarão no contexto amazônico. Assim, faz-se necessário a realização de pesquisas que visem compreender como é desenvolvida essa prática e quais são os agravos desencadeados por ela. O segundo capítulo aborda informações sobre a pesca artesanal de camarão desenvolvida no município de Curuçá, caracterizando o aspecto socioeconômico e a pesca artesanal de camarão na região do Salgado Paraense. Desse modo, o diagnóstico socioeconômico e ambiental aplicado aos pescadores da área de estudo, foi desenvolvido por meio de um questionário. Os resultados revelam que os pescadores possuem baixa escolaridade, com a maior parte sendo do sexo masculino e com renda média inferior a um salário mínino. Ademais, embora essa atividade seja vital para a subsistência local, apresenta impactos relevantes sobre a biodiversidade aquática, principalmente pelo uso de apetrechos que são ativos e generalistas, como o uso majoritário do puçá, retirando fauna aquática de forma desordenada. Por conseguinte, o terceiro capítulo aborda sobre a composição de camarão e da fauna acompanhante da pesca artesanal de camarão no município de Curuçá. Assim, foi realizada coleta em Areia Branca e Praia do Japirica com o uso de um puçá. Os resultados mostraram que embora a média de CPUE de camarão tenha se sobressaído em relação a fauna acompanhante, esta última teve um quantitativo de amostras significativo. No entanto, alguns resultados mostraram a dominância da fauna acompanhante durante o dia na maré de enchente. Esse resultado reforça a necessidade de se pensar em um manejo na região de Curuçá para a pesca de camarão. Assim, a compreensão desses aspectos pode subsidiar políticas públicas mais sustentáveis, auxiliando na conservação e segurança alimentar das comunidades tradicionais e na preservação da fauna aquática local. Desse modo, esse trabalho mostra-se importante para o conhecimento da diversidade faunística de Crustáceos da Amazônia, bem como para a preservação das espécies de camarão que fazem parte da socio economia da região. ademais, o mesmo encontra-se em desenvolvimento, e os resultados parciais apresentados contribuem para a compreensão dos impactos da pesca artesanal de camarão em Curuçá, fornecendo subsídios para futuras propostas de manejo sustentável.
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FELIPE ROBERTO LIMA PONTES
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Estudo sobre os caranguejos (Decapoda: Brachyura) e diagnóstico socioeconômico-ambiental de catadores no Salgado Paraense com ênfase no município de Curuçá, Pará, Brasil.
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Orientador : ANA LUCIA NUNES GUTJAHR
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Data: 28/07/2025
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Os caranguejos da infraordem Brachyura (Decapoda) desempenham um papel ecológico fundamental nos ecossistemas costeiros, especialmente nos manguezais, além de possuírem grande importância social e econômica para as comunidades tradicionais que dependem de sua captura. O presente estudo investigou a diversidade de caranguejos e realizou um diagnóstico socioeconômico-ambiental em comunidades do município de Curuçá, no Estado do Pará, Brasil. Inicialmente, foi realizada uma revisão bibliográfica para analisar como a temática dos caranguejos tem sido abordada na região do Salgado Paraense. A partir dessa análise, constatou-se a forte tradição na cata de caranguejos no município de Curuçá, tornando este o alvo deste estudo. O estudo foi dividido em duas etapas: a primeira consistiu em uma análise socioeconômica com os catadores de caranguejo, por meio da aplicação de questionários abordando aspectos demográficos e as práticas utilizadas na captura. Os resultados indicaram que o braceamento é o principal método de coleta, além do uso de técnicas predatórias, também demonstram a percepção dos catadores sobre a redução das populações de caranguejos ao longo dos anos, associada à degradação dos manguezais, que enfrentam crescente poluição. A segunda etapa envolveu a coleta de caranguejos em duas áreas distintas: uma mais próxima da cidade, com maior interferência antrópica, e outra em uma região mais remota, com menor interferência antrópica. Os dados obtidos mostraram que, nas áreas com menor interferência antrópica, os caranguejos tendem a ter mais tempo para crescer, apresentando tamanhos e pesos superiores, o que os faz mais atrativos comercialmente. Os resultados destacam a necessidade de políticas públicas direcionadas os catadores de caranguejos, além de medidas de conservação e manejo sustentável para garantir a continuidade da atividade extrativista e a preservação dos manguezais, essenciais para o equilíbrio ecológico e para a manutenção da economia local.
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ANDREA LIGORI RODRIGUES REZENDE
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A Exploração de Bauxita na Amazônia Oriental: Impactos Ambientais e a Educação Ambiental como Estratégia para Mitigação de Danos Ambientais
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Orientador : CARLOS ELIAS DE SOUZA BRAGA
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Data: 31/07/2025
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A refinação de bauxita na Amazônia Oriental é uma das atividades industriais mais significativas, especialmente nos estados do Pará e Maranhão, exercendo um impacto expressivo no meio ambiente e nas comunidades locais. Este estudo, analisa os efeitos dessa atividade mineradora sobre o meio ambiente e nas comunidades especificamente em Vila do Conde/Murucupi, a e no bairro Colônia do Uraim, que se encontram nas cidades de Barcarena e Paragominas no estado do Pará. A pesquisa enfatiza a necessidade de ações sustentáveis e da efetiva implementação do cumprimento de normas ambientais, destaca a importância da Educação Ambiental como ferramenta para a mitigação desses impactos e o uso de instrumentos regulatórios como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Plano de Recuperação de áreas degradadas (PRAD), que são básicos para minimizar os impactos negativos dessa atividade sobre os ecossistemas locais, a Política Nacional do Meio Ambiente (PNUMA) vem para alinhar a preservação ambiental com as necessidades das comunidades locais, e também no que tange aos benefícios e desenvolvimento econômico. A pesquisa destaca o valor da participação ativa das escolas e das comunidades na formulação e implementação de políticas ambientais, considerando que a educação ambiental desempenha um papel fundamental no fortalecimento da conscientização local e na adoção de práticas mais sustentáveis. Foram realizadas entrevistas, aplicação de questionários, análise documental e revisão de literatura para identificar as práticas de mitigação dos danos ambientais enfrentados pelas comunidades, resultantes da extração e mineração da bauxita. Além disso, a pesquisa investigou o entendimento dessas comunidades sobre educação ambiental. O estudo conclui que, embora a mineração de bauxita seja uma atividade de grande relevância econômica, é imprescindível que a gestão ambiental, a promoção de práticas educativas e a implementação de estratégias para a recuperação e uso sustentável dos recursos naturais sejam mais eficazes, tanto em Barcarena quanto em Paragominas, no estado do Pará.
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VIVIANDRA MANUELLE MONTEIRO DE CASTRO TRINDADE
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Processamento Artesanal e Estimativa de Consumo de Polpa de Açaí no Município de Acará, Pará
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Data: 14/08/2025
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O açaí (Euterpe oleracea Mart.) é um fruto de grande importância econômica, alimentar e cultural na região amazônica, especialmente no Pará, onde integra a dieta cotidiana da população e sustenta uma cadeia produtiva relevante. Esta dissertação teve como objetivo caracterizar o perfil socioeconômico dos batedores de açaí e analisar os hábitos de consumo entre moradores da área urbana de Acará-PA. A pesquisa foi realizada com 25 batedores artesanais e 60 famílias consumidoras, selecionados por amostragem não probabilística. Os batedores são majoritariamente homens, com idade média de 45 anos, baixa escolaridade, atuação recente no setor e em condições predominantemente informais. A infraestrutura é limitada, especialmente em áreas periféricas, com carências de equipamentos e capacitação. Embora 92,68% dos estabelecimentos sejam de alvenaria e 84,55% possuam forro em PVC, apenas 56,22% utilizam tanque de branqueamento, essencial para reduzir o risco de contaminação por Trypanosoma cruzi, agente causador da doença de Chagas. Além disso, somente 36,47% participaram de cursos de Boas Práticas de Fabricação, evidenciando fragilidades na adoção de procedimentos seguros. A atividade é mais lucrativa na safra (agosto a dezembro), quando há maior oferta de frutos, enquanto na entressafra (janeiro a junho) aumentam a escassez, os preços e a menor qualidade da polpa de açaí. Quanto ao consumo, 95,87% dos entrevistados declararam consumir o produto, enquanto 4,13% não o incluem na alimentação. Entre os consumidores, 97,14% mantêm o hábito mesmo na entressafra, ainda que em menor quantidade devido à redução da oferta e ao aumento do preço. Durante a safra, 75% das famílias consomem açaí diariamente, e na entressafra, 40,21% mantêm o consumo diário, enquanto 59,79% consomem algumas vezes por semana. Observou-se forte preferência pelo açaí roxo, consumido pela maioria, enquanto o açaí branco foi citado de forma menos expressiva, consumido apenas ocasionalmente. A polpa de açaí é geralmente acompanhado de farinha de mandioca (98%) e proteínas como peixe, camarão e mortadela. Em relação à segurança alimentar, 65,13% afirmaram conhecer a doença de Chagas; contudo, 74,39% percebem o risco de contaminação como baixo ou moderado, revelando limitada conscientização sobre os perigos associados a polpa de açaí contaminado. Na escolha do produto, o preço foi o critério mais valorizado (89,68%), seguido por higiene (37,53%), enquanto a origem apresentou baixa valorização (9,8%). A falta de confiança na qualidade foi apontada por 52,32% como principal entrave ao consumo. Entre os problemas mais relatados destacaram-se açaí azedo (60,18%) e gosto adulterado (30,57%), ambos associados a falhas na conservação e manipulação. Esses resultados evidenciam que, além de sua importância cultural e econômica, o açaí apresenta desafios críticos de segurança alimentar, sendo a doença de Chagas uma preocupação central. A baixa adesão ao uso de tanques de branqueamento e a percepção limitada de risco demonstram a necessidade de ações educativas e fiscalizatórias que promovam boas práticas de higiene e conscientização. Conclui-se que o açaí, além de fonte relevante de renda para batedores, mantém-se como elemento central na alimentação e cultura local, mesmo diante da sazonalidade e das limitações estruturais do setor.
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JESSICA RAYANE DE MIRANDA COSTA
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Saúde da mulher na região amazônica: desafios, determinantes e estratégias de cuidado em diferentes ciclos de vida
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Orientador : ALTEM NASCIMENTO PONTES
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Data: 18/12/2025
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A saúde da mulher na Região Amazônica configura-se como um campo de análise complexo, perpassando por múltiplas dimensões históricas, sociais, ambientais e políticas que moldam profundamente as condições de vida e os modos de adoecer dessa população. A Amazônia, com sua vasta extensão territorial, distribuição irregular de serviços, lacunas assistenciais e marcante desigualdade socioeconômica, apresenta desafios estruturais que influenciam diretamente ao acesso, a continuidade e a qualidade do cuidado em saúde. Essas barreiras tornam-se ainda mais evidentes quando se considera que grande parte das mulheres da região vive em comunidades ribeirinhas, áreas rurais remotas, territórios indígenas ou periferias urbanas com infraestrutura limitada, onde as distâncias geográficas, a dependência de transporte fluvial e a sazonalidade climática condicionam a oferta e a utilização dos serviços. Além das questões territoriais, a Amazônia é marcada por intensa diversidade cultural e étnica, o que inclui populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas, migrantes e mulheres residentes de centros urbanos em expansão. Cada um desses grupos apresenta práticas, percepções e necessidades específicas relacionadas ao processo saúde-doença, que demandam abordagens culturalmente sensíveis e estratégias de cuidado que respeitem saberes, identidades e formas de organização social. Ao mesmo tempo, persistem desigualdades históricas em educação, renda, trabalho e acesso a políticas públicas, que repercutem diretamente nos determinantes sociais da saúde e ampliam vulnerabilidades relacionadas ao ciclo reprodutivo, à prevenção de agravos e ao autocuidado. A saúde da mulher na Região Amazônica apresenta singularidades marcadas por desigualdades sociais, barreiras geográficas, restrições de acesso aos serviços e diversidade cultural, fatores nos quais influenciam diretamente nos processos de prevenção, promoção e cuidado ao longo dos diferentes ciclos de vida. Este estudo, composto por três artigos científicos, analisa dimensões essenciais desse cenário: os impactos da pandemia de Covid-19 no rastreamento do câncer do colo do útero; a relação entre aleitamento materno exclusivo e sustentabilidade em capitais da Amazônia; e o perfil epidemiológico de mulheres que realizaram o exame Papanicolau na Região Metropolitana de Belém. Ao integrar essas temáticas, este trabalho objetivou ressaltar como determinantes sociais, políticas de saúde, práticas assistenciais e particularidade dos contextos amazônicos influenciam o cuidado em saúde das mulheres, destacando desafios persistentes e apontando estratégias para qualificar a atenção integral.
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SIMONE DARIA ASSUNÇÃO VASCONCELOS GALDINO
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Resíduos de Saúde e Sustentabilidade: Impactos da Pandemia, Desafios da Logística Reversa e Contribuições para o ODS 12
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Orientador : HELIO RAYMUNDO FERREIRA FILHO
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Data: 07/01/2025
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A tese aborda a sustentabilidade na gestão de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), destacando desafios e problemas amplificados pela pandemia de COVID-19. O objetivo central foi analisar os impactos da pandemia na geração de RSS e as práticas de Logística Reversa (LR) que promovam uma gestão sustentável, alinhada ao ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis). A metodologia envolveu abordagens qualitativas e quantitativas para explorar a temática. A pandemia intensificou a produção de RSS, exacerbando a crise e reforçando a urgência de práticas seguras de descarte para proteger a saúde pública e o meio ambiente. A análise bibliométrica revelou a escassez de estudos sobre LR e a necessidade de ampliar essa discussão. A pesquisa destacou práticas e modelos de LR, apontando desafios financeiros e estruturais que demandam políticas públicas e investimentos para garantir a proteção ambiental e a segurança da saúde coletiva.
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SILVIA CRISTINA SANTOS DA SILVA
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Óbitos maternos por covid-19 no Estado do Pará: Análise espacial, sociodemográfica, obstétrica e de anos potenciais de vida perdidos
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Orientador : CLEA NAZARE CARNEIRO BICHARA
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Data: 19/03/2025
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A pandemia de covid-19 representou um desafio significativo para a saúde materna, impactando diretamente as taxas de mortalidade de gestantes e puérperas, especialmente em regiões vulneráveis, como o estado do Pará. Este estudo tem como objetivo analisar os óbitos maternos por covid-19 ocorridos entre 2020 e 2021. Trata se de um estudo transversal e retrospectivo, baseado em dados secundários de óbitos maternos por covid-19 notificados no estado do Pará e compilados pela Secretaria de Saúde do Pará (SESPA). Foram adotadas diferentes abordagens metodológicas,incluindo geoespacialização, análise epidemiológica, estimativa de Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP), análise de sobrevivência e regressão logística. A primeira abordagem consistiu na geoespacialização dos 78 óbitos maternos, permitindo identificar padrões de distribuição e autocorrelação espacial das taxas de mortalidade nos 144 municípios do Pará. Destacaram-se os municípios de Jacareacanga, Vitória do Xingu, Santa Maria das Barreiras, São Sebastião da Boa Vista e Oriximiná, que apresentaram as maiores taxas médias anuais de mortalidade materna. Observou-se uma relação entre altas taxas de mortalidade e baixos índices de desenvolvimento humano, além de deficiências na cobertura da atenção básica à saúde. A segunda abordagem evidenciou aspectos epidemiológicos e sociodemográficos dos casos, além da estimativa dos APVP. Identificou-se que a maioria das vítimas tinham entre 23 e 32 anos, era parda, possuía entre 8 e 11 anos de estudo, estava em união consensual e residia em áreas urbanas. Muitas dessas mulheres precisaram se deslocar entre municípios para receber atendimento e a estimativa de APVP foi de 17,8 anos. Por fim, a análise dos fatores obstétricos revelou que, embora a maioria das gestantes tenha realizado pré-natal, muitas não atingiram o número adequado de consultas. A mortalidade foi maior no período puerperal, com risco aumentado em mulheres com múltiplas gestações, histórico de aborto, cesarianas e ausência de assistência pré-natal. A regressão logística indicou que a falta de acompanhamento adequado elevou significativamente o risco de óbito materno. O estudo da análise de óbitos maternos por covid-19 no Estado Pará evidenciou que a pandemia afetou desproporcionalmente grupos socioeconomicamente vulneráveis, e os anos potenciais de vida perdidos demonstram os impactos dessas perdas para a sociedade. Pode-se refletir que as desigualdades estruturais e de acesso aos serviços de saúde no estado do Pará potencializaram a mortalidade materna. Isso reforça a necessidade de investimentos em políticas públicas voltadas à assistência materna, com ampliação do acesso e da qualidade do pré-natal, aprimoramento da vigilância epidemiológica e garantia de assistência qualificada às gestantes e puérperas, com fluxos bem definidos, especialmente em contextos pandêmicos.
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GLEYCE PINTO GIRARD
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Qualidade da água para higienização das mãos no serviço hospitalar de urgência e emergência
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Orientador : HEBE MORGANNE CAMPOS RIBEIRO
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Data: 30/04/2025
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A tese trata sobre a água para higienização das mãos em hospitais de urgência e emergência, já que as mãos dos profissionais de saúde são fator relevante na transmissão de Infecções Relacionadas a Saúde (IRAS) com alto índice de morte em todo o mundo. O objetivo central é analisar a qualidade da água para consumo humano (higienização das mãos) dentro do serviço urgência e emergência hospitalar, no aspecto bacteriológico, equiparando aos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação vigente, na perspectiva da Portaria MS No 888/2021. Os resultados revelaram que as águas coletadas dentro dos hospitais não estão adequadas para higienização das mãos, pois houve presença de Coliformes Totais e E.coli. A pesquisa destacou estratégias de monitoramento e tratamento da água dentro de hospitais utilizadas com sucesso em outros países, apontando que investimento em monitoramento e tratamento contínuo da água dentro de hospitais é uma estratégia para a higienização segura das mãos e o controle de infecções nosocomiais.
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BRUNA RAFAELA LEITE DIAS
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Distribuição espacial e espaço-temporal do câncer de pulmão e sua relação com os determinantes sociais, ambientais e econômicos da saúde
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Orientador : ALTEM NASCIMENTO PONTES
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Data: 13/05/2025
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Este estudo teve como objetivo geral analisar a magnitude do câncer de pulmão na Amazônia paraense, considerando sua distribuição espaço-temporal, relação com os determinantes sociais e ambientais e os custos do tratamento para o sistema de saúde. Para tanto, foi necessário: a) analisar o perfil epidemiológico do câncer de pulmão; b) caracterizar a concentração e os aglomerados de risco para casos novos de câncer de pulmão; c) analisar a distribuição espacial do câncer de pulmão, bem como sua dependência espacial a indicadores socioeconômicos e ambientais; d) analisar os custos do tratamento do câncer de pulmão no SUS. Foi realizado um estudo ecológico, de delineamento misto. Isto é, análises espaciais e temporais sobre os casos novos e internações hospitalares por câncer de pulmão, bem como sobre os tratamentos ambulatoriais para o agravo. Nos primeiros quatro manuscritos, foram considerados 700 casos novos de câncer de pulmão, diagnosticados entre 2017 e 2021. Estes foram submetidos à: análise estatística no BioEstat 5.3, empregando o teste qui-quadrado (p < 0,05); estimativas de densidade de Kernel no software ArcGis® 10.8 e estatística de varredura no SaTScan™ 10.1.2; padronização de taxas médias anuais pelo método direto e aplicação de técnicas exploratórias espaciais que estimaram os coeficientes de correlação espacial global e local, utilizando os softwares ArcGis® 10.8 e GeoDa 1.14.0; regressão geograficamente ponderada no ArcGis® 10.8. O quinto manuscrito, com os softwares BioEstat 5.3 e Minitab 22.1, construiu modelos ARIMA e séries temporais dos casos novos e dos custos do tratamento do câncer de pulmão com os softwares BioEstat 5.3 e Minitab 22.1. Os resultados consolidam uma visão abrangente sobre o câncer de pulmão na Amazônia Paraense, evidenciando a interação entre fatores epidemiológicos, ambientais, socioeconômicos e financeiros. Conclui-se que intervenções eficazes precisam considerar esses determinantes em sua totalidade, integrando ações preventivas e de controle para melhorar a saúde da população e otimizar os recursos públicos.
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ELANE CRISTINA MELO LEMOS
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Gerenciamento de resíduos sólidos orgânicos na Central de Abastecimento do Estado do Pará
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Orientador : FLAVIA CRISTINA ARAUJO LUCAS
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Data: 26/05/2025
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O gerenciamento de resíduos orgânicos, nas centrais de abastecimento (CEASA), ainda tem sido um grande desafio nos tempos atuais. Tais dificuldades estão em seguir as etapas de gerenciamento implementadas, pelas Lei 12.305/2010, que vai desde a geração de resíduos, até o descarte final, ambientalmente adequado. Logo, o principal objetivo desta pesquisa é apresentar propostas para o gerenciamento de resíduos orgânicos gerados na Ceasa-PA. A presente pesquisa foi realizada na Ceasa-PA, e teve como principal método a pesquisa do tipo exploratória qualitativa e quantitativa, e para análise dos dados, utilizou-se testes paramétricos e não paramétricos, como principalmente o teste Kruskal-wallis, para a comparação das medianas dos dados obtidos. Na pesquisa quantitativa foram explorados dados sobre informações da comercialização de hortifrutis, desperdício e aproveitamento de frutas e hortaliças. A pesquisa qualitativa foi baseada em literaturas, documentos oficiais, relatórios e registros fotográficos. Observou-se que na Ceasa-PA, ao longo de 5 anos (2018 a 2022), os principais produtos comercializados foram as Frutas, e as culturas de banana e laranja obtiveram as maiores comercializações, seguidas das hortaliças raiz, hortaliça fruto e hortaliça folhagens. Dentre esses produtos, os mais desperdiçados estiveram na categoria de hort.-raiz, como principalmente as culturas de bata e cebola, enquanto no aproveitamento, os produtos mais destacados estiveram na categoria de frutas, como a banana e a maçã. A Ceasa-PA vem investindo cada vez mais na organização dos processos de gerenciamento de resíduos orgânicos, principalmente com um olhar nas premissas da sustentabilidade ambiental, social e econômica. Os Gestores vêm criando estratégias, adotadas como políticas internas, de aproveitar os hortifrutis que são desperdiçados, durante a comercialização. O banco alimento é uma inovação tecnológica favorável, que vem contribuindo, significativamente, na redução dos desperdícios, dos custos e segurança alimentar. Conhecer o perfil comercial é extremamente importante, para o planejamento das ações internas e tomada de decisões. Além das ações, realizadas pelo banco de alimento, no aproveitamento dos hortifrutis, uma alternativa, em reduzir os desperdícios gerados, seria aproveitá-los na forma de alimentos minimamente processados, tanto para as frutas, quanto para as hortaliças nas três categorias apresentadas.
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GLEICY KAREN ABDON ALVES PAES
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Desastres Naturais Hidrológicos: Engenharia, gestão de riscos, vulnerabilidade e protocolo operacional para atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista nas ocorrências de inundações e alagamentos em Belém - PA
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Orientador : ALTEM NASCIMENTO PONTES
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Data: 29/05/2025
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A região Amazônica apresenta características geográficas, climáticas e sociais, que favorecem alterações ambientais com potencial para evoluir para desastres. Na cidade de Belém, estas ocorrências correspondem à maior parte de desastres naturais hidrológicos que afetam as áreas urbanas. Esta tese analisou a dinâmica socioambiental no período de 2010 a 2021, quando foram coletados indicadores do Sistema de Recuperação Automática (SIDRA) do IBGE e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), associando-os ao mapeamento de áreas de risco a processos hídricos, elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Os resultados estatísticos mostraram diferenças entre o esgoto coletado e o tratado, além das lacunas dos oferecimento dos serviços de saneamento básico. Em seguida, foram analisadas as perspectivas socioambientais, impactos, progressão e dimensões das vulnerabilidades quando ocorrem os desastres. Os resultados do diagrama de Pareto e da matriz GUT (Gravidade, Urgência e Tendência), destacaram que os fatores antrópicos são potencializadores, sobressaindo a ausência de planejamento urbano e infraestrutura adequada, enquanto, entre os fatores naturais, a pluviosidade – em termos de intensidade, volume, distribuição e frequência – exerce influência determinante. Posteriormente, foram estudadas as etapas da Gestão de Risco e Desastres (GRD) preconizadas pela Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC), organizadas em cinco etapas: prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação.. Os resultados da abordagem gráfica e do diagrama FPEIR (Força Motriz, Pressão, Estado, Impacto, Resposta), indicaram o aumento da população em áreas inundáveis e construções precárias, acompanhado da redução dos investimentos em saneamento. Por fim, foi proposto um Procedimento Operacional Padrão (POP) para atendimento à PCD portadora de TEA na etapa de resposta da GRD em casos de inundações e alagamentos. Os resultados do diagrama de Ishikawa evidenciaram diversas causas das dificuldades para tal atendimento, como a ausência de protocolos específicos para este grupo de vulneráveis. Assim, foram propostas ações diferenciadas e adequadas considerando características e sintomas dos mesmos, ratificando que a normatização de orientações e condutas emergenciais de resposta, auxiliarão e qualificarão os atendimentos, proporcionando subsídios estratégicos, por meio de direcionamentos assertivos, sensíveis, humanizados e dignos. Entende-se que esta pesquisa contribuirá com políticas públicas, pois aprimora a GRD, diante do agravamento das vulnerabilidades locais e consequentemente, dos impactos gerados.
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ANTONIO PEREIRA JUNIOR
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Qualidade da água e as pressões antrópicas em ambientes urbanos amazônicos: o caso do igarapé Paragominas (PA).
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Orientador : GUNDISALVO PIRATOBA MORALES
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Data: 30/05/2025
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Os problemas ambientais enfrentados pelos municípios brasileiros frequentemente envolvem processos de desmatamento, alterações nos aspectos ambientais e degradação da qualidade da água. No entanto, nem todos os 5.570 municípios do país dispõem de dados sistematizados sobre essas questões. Essa lacuna foi identificada no município de Paragominas (PA), o que motivou a realização desta pesquisa, cujo objetivo foi analisar as relações entre o desmatamento, os aspectos ambientais e a qualidade da água no trecho urbano do igarapé Paragominas. A abordagem metodológica adotada foi investigativa, com natureza observacional e caráter quantiqualitativo. O trecho analisado atravessa a zona urbana e foi dividido aleatoriamente em cinco áreas, organizadas do ponto menos urbanizado ao mais urbanizado, seguindo o sentido montante-jusante. Os resultados indicaram que o desmatamento foi impulsionado pela expansão da agricultura (de 1.342 ha para 103.164 ha) e da área urbana (de 1.331,5 ha para 2.026,8 ha), resultando na perda de 207,9 ha de superfície hídrica. Essas transformações contribuíram para a degradação da integridade do habitat aquático. A análise dos dados obtidos permitiu caracterizar os estados ambientais das cinco áreas amostradas, evidenciando impactos significativos decorrentes da pressão antrópica sobre o sistema hídrico urbano. A1: Rodovia Constantino Pereira do Sacramento, com substituição da mata ciliar por vegetação arbustiva e herbácea o que decretou valores elevados para os impactos antropogênicos - IA (∑ = 55) e para a condição ambiental – CA (∑ = 46), logo, o valor do índice de Integridade do Habitat (IIH = 47,2%), permitiu a classificação desta área como “área impactada”, devido as alterações na extensão - E (largura - L, 97± 49.1m; comprimento – C = 95.7 ± 4.0m; profundidade – P = 1.8 ± 0.3 m), o que alterou a qualidade da água - QA (T ºC = 32.2 ± 2.2 ºC; OD = 2.0 ± 1.1 mg/L; NH3 = 0.13 mg/L); Na A2: Avenida Selecta, IA (∑ = 31); CA (∑ = 29), indicaram um IIH baixo ( = 28.6%), logo, “área altamente impactada”, E (L = 73 ± 38.0 m; C = 47.3 ± 9.5 m ; P = 1.1 ± 0.3m); QA (TºC = 32.6 ± 2.1 ºC; OD = 2.3 ± 0.8 mg/L; NH3 = 0,26 mg/L); Em A3: confluência da rua Gregório Santos Araujo com PA 125, , IA (∑ = 24); CA (∑ = 24); IIH (= 7.8%), ou seja, “área altamente impactada”, QA (TºC = 3.1.5 ± 1.0; OD = 1.7 ± 0.4 mg/L; NH3 = 0.37 mg/L); A4 – Lago Verde, o IA (∑ = 10), CA (∑ - 3), IIH (4.2), área altamente impactada”; E (L = 100.0 ± 50 m; C = 34.0 ± 9.2 m; P = 2.0 ± 0.6m); QA (TºC = 37.8 ± 2,6; OD = 0.9 ± 0.2 mg/L; NH3 = 0.81 mg/L); A5 – Rua Padre Carvalho: IA (∑ = 36); CA (∑ = 37); IIH (10.4) “área altamente impactada”; QA ( TºC = 32.2 ± 1.0; OD = 1.2 ± 0.9 mg/L; NH3 = 1.21 mg/L). Logo, o trecho urbano do igarapé Paragominas, após a urbanização sofre impactos antropogênicos que alteram as condições ambientais do habitat aquático e está interferindo da perda gradual da qualidade da água.
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GLEIDSON MARQUES PEREIRA
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Agrobiodiversidade e pressão de uso: o caso da agricultura familiar no município de Salvaterra, Ilha do Marajó, Pará
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Orientador : ANA CLAUDIA CALDEIRA TAVARES MARTINS
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Data: 03/07/2025
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A tese investiga a interface entre agrobiodiversidade e pressão de uso da terra em comunidades rurais do município de Salvaterra, Ilha do Marajó/PA, a partir de cinco eixos analíticos. No primeiro, identifica-se a diversidade de espécies manejadas e suas categorias de uso, evidenciando a importância dos saberes tradicionais na sustentabilidade alimentar e medicinal. O segundo capítulo traça o perfil socioeconômico e produtivo dos agricultores, apontando limitações como baixa escolaridade, acesso restrito a crédito e organização produtiva frágil. O terceiro capítulo enfatiza o papel estratégico das mulheres rurais na conservação da agrobiodiversidade e na transmissão intergeracional de conhecimentos. O quarto eixo evidencia entraves produtivos, como ausência de assistência técnica, pragas e barreiras de comercialização, comprometendo a autonomia econômica das famílias. Por fim, o quinto capítulo mostra que, embora o município mantenha ampla cobertura florestal, a intensificação agrícola e a concentração fundiária contribuem significativamente para o desmatamento. A pesquisa conclui que o fortalecimento da agricultura familiar exige políticas públicas integradas, territorialmente ajustadas e ambientalmente sustentáveis, valorizando os saberes locais, a inclusão de gênero e o ordenamento participativo do território.
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MARCELO COELHO SIMOES
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Ecoepidemiologia da covid-19 no Norte do Brasil: Abordagem One Health da Dinâmica em área na Amazônia Brasileira
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Orientador : CLEA NAZARE CARNEIRO BICHARA
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Data: 07/08/2025
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Na Amazônia Brasileira, especialmente no Estado do Pará, a pandemia do SARS-CoV-2 revelou profundas iniquidades socioambientais, associadas à precariedade dos serviços de saúde, à baixa cobertura de saneamento básico e à alta vulnerabilidade populacional. Este estudo teve como objetivo analisar a dinâmica da covid-19 no Pará sob uma perspectiva socioambiental e de gestão pública, fundamentada na abordagem One Health, além de demonstrar a atuação da gestão estadual frente a este evento de saúde pública. Trata-se de uma pesquisa exploratória, de base epidemiológica, documental, no qual por meio de análises estatística, investigou a evolução epidemiológica da doença entre março de 2020 a dezembro de 2022, correlacionando variáveis como desmatamento, queimada e indicadores geoepidemiológicos no Pará. Os resultados revelaram picos significativos de casos e óbitos no ano de 2020 (29.352,9 e 718,3) e 2021 (27.618,08 e 1.038), com redução significativa em 2022 (19.588,92 e 155,41), destacando-se maior mortalidade entre idosos (38,6 por mil) e internações em crianças de 0 a 4 anos (0,030 por mil habitantes). Regiões como Xingu e municípios como Itaituba, Altamira e Jacareacanga apresentaram as mais elevadas taxas por covid-19 e perda de cobertura vegetal, refletindo desigualdades territoriais e fragilidade da rede assistencial. A análise estatística apontou correlação moderada positiva entre número de casos e desmatamento (r = 0,593; p = 0,055), sugerindo a influência da degradação ambiental no agravamento da crise sanitária. Apesar das ações normativas estaduais no combate à pandemia, a efetividade das medidas foi limitada diante da realidade territorial e estrutural. Conclui-se que a integração entre vigilância epidemiológica, ambiental e gestão pública, com foco em Saúde Única, é essencial para fortalecer a resposta a crises sanitárias em territórios vulneráveis como a Amazônia.
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EDYRLLI NAELE BARBOSA PIMENTEL
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FLORÍSTICA, FITOSSOCIOLOGIA E RELAÇÃO SOLO-VEGETAÇÃO EM DIFERENTES ECOSSISTEMAS NA REGIÃO AMAZÔNICA, BRASIL
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Orientador : MANOEL TAVARES DE PAULA
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Data: 28/08/2025
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O processo de urbanização exerce pressão sobre os remanescentes florestais e provoca intensas alterações na paisagem e nos ecossistemas, tornando essencial a manutenção destas áreas para reduzir impactos e melhorar a qualidade de vida. Ecossistemas inseridos em parques oferecem contato com a natureza e benefícios ambientais, sendo especialmente relevantes na Amazônia, centro de debates sobre conservação ambiental. Nesse contexto, o Parque Ecológico de Gunma destaca-se como um remanescente florestal em meio a áreas antropizadas, que abriga fitofisionomias de terra firme, várzea, igapó e vegetação secundária. O parque representa importante espaço para conservação e mitigação de impactos ambientais na região metropolitana de Belém. Diante disso, este estudo analisou a vegetação do parque por meio de levantamentos florísticos e fitossociológicos, além da quantificação de biomassa e sequestro de carbono, correlacionando esses parâmetros com características do solo. A pesquisa foi estruturada em quatro artigos e abordou principalmente as variações nos diversos ambientes florestais que compõe o bioma amazônico.
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MARCILENE CALANDRINE DE AVELAR
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Educação ambiental como função socioambiental das unidades de conservação urbanas na Amazônia paraense
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Orientador : MANOEL TAVARES DE PAULA
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Data: 17/10/2025
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A presença de áreas verdes nos espaços urbanos da Amazônia é cada vez mais rara. Fato, que distancia a relação escola-natureza e tendência ao afastamento de crianças do ambiente natural. Isso torna essencial a criação e a manutenção de Unidades de Conservação (UCs) no espaço urbano, bem como acentua a importância de práticas de educação ambiental dentro de uma perspectiva crítica nesses espaços e na comunidade escolar de seu entorno. Diante desta compreensão, este estudo teve como objetivo analisar a educação ambiental enquanto função socioambiental das UCUs da Amazônia Paraense, investigando a inter-relação sociedade-natureza, os instrumentos e as práticas de educação ambiental que as potencializam como espaços educadores e fortalecem a relação escola-natureza, promovendo a consciência ambiental crítica. A metodologia fundamentou-se em uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio de procedimentos de natureza bibliográfica, documental e de estudo de caso, realizada em três parques ambientais localizados em municípios amazônicos. A análise dos dados foi conduzida com base na técnica de Análise de Conteúdo Categorial (ACC). Os resultados indicaram que as unidades de conservação pesquisadas são espaços dotados de funções socioambientais e elementos naturais que precisam ser incorporados nas práticas de educação ambiental, ampliando a compreensão desses espaços como “salas vivas”, capazes de articular dimensões ecológicas, sociais e educativas de forma interdisciplinar. Contudo, foram evidenciados desafios relacionados à pressões antrópicas, ausência de maior integração crítica e de políticas públicas efetivas, além da falta de articulação entre as Unidades de Conservação Urbanas (UCUs) enquanto espaço não formal de educação ambiental e os espaços formais (escolas).
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LUISA HELENA SILVA DE SOUSA
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POLÍTICAS PÚBLICAS E A EXPANSÃO URBANA EM ÁREAS DE VÁRZEA: UMA ANÁLISE SOBRE A ORLA DE SANTARÉM-PA
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Orientador : GUNDISALVO PIRATOBA MORALES
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Data: 28/10/2025
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A urbanização na Amazônia apresenta dinâmicas singulares, marcadas pela tensão entre o desenvolvimento económico e a conservação ambiental. Santarém (PA), cidade ribeirinha na confluência dos rios Tapajós e Amazonas, sintetiza essa complexidade ao vivenciar expansão urbana acelerada, impulsionada por cadeias do agronegócio e pela logística portuária. Esta tese investiga como as políticas públicas influenciam tal expansão e quão eficazes são na sua gestão. Parte-se da hipótese de que a ausência ou inadequação dessas políticas favorece a expansão desordenada, com danos socioambientais relevantes. Adota-se abordagem qualitativa, articulando análise documental, levantamento bibliográfico e entrevistas semiestruturadas com moradores, lideranças, gestores e organizações sociais, sob referencial crítico do direito à cidade e da produção social do espaço. A tese organiza-se em formato multipaper: (i) análise cienciométrica que mapeia a produção científica sobre Santarém e evidencia fragmentação temática; (ii) estudo sobre impactos da expansão portuária como vetor de reconfiguração territorial, desmatamento e conflitos; (iii) análise da pesca artesanal, destacando a governança comunitária (Colónia Z-20) como ator de resistência e mediação; (iv) avaliação da gestão de resíduos sólidos urbanos, revelando o descompasso entre indicadores oficiais e a realidade operacional; e (v) exame de narrativas coletivas de atores locais, que explicitam conflitos, percepções de mudança e estratégias de governança. Os resultados indicam predomínio de planejamento heterónomo, alinhado a interesses externos, que fragiliza modos de vida ribeirinhos e degrada ecossistemas de várzea. Conclui-se pela urgência de políticas integradas, participativas e baseadas em evidências, capazes de reconhecer a função social da cidade, fortalecer a governança territorial e promover justiça socioambiental.
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CARLOS JOSE CAPELA BISPO
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Análise de Metais Pesados em Águas Amazônicas na Região Insular de Belém-PA
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Orientador : HEBE MORGANNE CAMPOS RIBEIRO
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Data: 29/10/2025
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A crescente pressão antrópica sobre os ecossistemas aquáticos amazônicos tem comprometido a qualidade das águas superficiais, especialmente em regiões urbanas e de transição entre áreas naturais e antropizadas, como a Área de Proteção Ambiental (APA) Ilha do Combu, no município de Belém (PA). Na perspectiva de conhecer o cenário na região, realizou-se uma revisão sistemática da literatura sobre a presença de metais pesados em rios da Amazônia paraense, com o intuito de entender a evolução da contaminação por metais e seus impactos sobre a qualidade da água, os ecossistemas e a saúde pública. Para um melhor entendimento do atual cenário foi implementado uma abordagem descritiva e qualiquantitativa, analisando artigos publicados entre 2005 e 2023 que apresentavam evidências sólidas conforme as Resoluções CONAMA nº 274/2000 e 357/2005 e a Portaria nº 888/2021. Os resultados demonstraram elevadas concentrações de Pb, Cu, As, Cd, Cr e Hg, com destaque para Pb e Hg, identificados em 60% dos estudos. Considerando a necessidade de avaliar as concentrações de metais pesados nas águas superficiais do rio Guamá, na APA Ilha do Combu, em Belém (PA), uma região sujeita a pressões urbanas e turísticas, foram coletadas amostras de água (triplicata) em 9 (nove) pontos distintos em toda ilha, durante um período de mais chuvas (junho/2023) e outro de menos precipitações (maio/2024), sendo analisadas por espectrometria de emissão atômica com plasma induzido (ICP-OES) para 9 (nove) metais (Al, Cd, Cr, Cu, Fe, Mn, Ni, Pb e Zn). A qualidade da água (sete parâmetros físico-químicos) foi avaliada pelo Índice de Qualidade da Água do CCME, adaptado à Resolução CONAMA nº 357/2005. Analisando os parâmetros físico-químicos conjuntamente com teores de metais, baseado nos protocolos da CETESB e APHA. Os resultados revelaram variações temporais significativas, com aumento da concentração de metais no período menos chuvoso (2024), e os parâmetros físico-químicos fora dos limites da Resolução CONAMA nº 357/2005. As análises estatísticas indicaram correlações fortes entre turbidez, cor, condutividade e metais, e correlações negativas com oxigênio dissolvido. Todos os pontos apresentaram qualidade classificada como “ruim”, com Al, Fe e Mn, acima dos limites legais, especialmente no período menos chuvoso. A contaminação foi atribuída a fatores naturais e antrópicos, como saneamento precário e turismo não regulamentado. Os resultados indicam risco ecológico e necessidade de gestão e monitoramento ambiental contínuos. A pesquisa evidencia a influência de fatores temporais e antrópicos na qualidade da água, destacando o furo do Combu (Ponto 3) como o trecho mais impactado. O estudo é original ao relacionar parâmetros físico-químicos e teores de metais a variações hidrológicas na região amazônica. Observou-se que o desenvolvimento industrial, agrícola e urbano tem intensificado a degradação dos recursos hídricos. O trabalho reforça a importância socioambiental do monitoramento contínuo e contribui para o entendimento da relação entre o uso do solo e a contaminação das águas superficiais por metais pesados.
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ALINE DE OLIVEIRA FERREIRA
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A cadeia produtiva do jambu (Acmella oleracea RK Jansen) na Região Metropolitana de Belém (PA): produção e comercialização de um sistema agroalimentar amazônico
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Data: 03/11/2025
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Esta tese teve como objetivo geral analisar a cadeia produtiva do jambu na Região Metropolitana de Belém, no estado do Pará (RMB/PA), identificando as características dos pequenos produtores e os desafios enfrentados, os principais mercados e canais de comercialização, assim como o comportamento e tendência de preços desta hortaliça. Foram desenvolvidos três estudos em forma de artigos a partir dos objetivos específicos da tese. O artigo 1, de abordagem qualitativa, teve como propósito analisar a cadeia produtiva dos pequenos produtores de jambu que abastecem a RMB/PA, identificando os atores sociais envolvidos, o perfil socioeconômico destes, as características do sistema de produção e os desafios enfrentados por esta categoria. Os dados foram coletados por meio de pesquisa bibliográfica, documental e de campo, com entrevistas realizadas com os 22 pequenos produtores de jambu da região. O artigo 2, de abordagem qualitativa, teve como desígnio identificar os principais mercados e canais de comercialização do jambu na RMB/PA, buscando demonstrar quais são os desafios enfrentados na comercialização e as principais diferenças entre os tipos de mercado. Além de pesquisa bibliográfica, documental e observação não-participante foram realizadas entrevistas com 22 pequenos produtores, três empresários, duas nutricionistas e dois representes de cooperativas de pequenos produtores da RMB/PA. O artigo 3, de abordagem quantitativa teve como meta analisar o comportamento e a tendência dos preços do jambu e estimar os índices sazonais de preços desse produto, no período de 2000 a 2024 no mercado de Belém. Ademais, buscou-se também estimar as diferenças de preço para a produção folhas e flores de jambu, identificando o que é mais vantajoso produzir. Os dados utilizados para o cálculo dos preços foram disponibilizados pela Central de Abastecimento do Estado do Pará e os dados sobre produção de folhas e flores foram obtidos junto a pequenos produtores de jambu da região. Com base nos três artigos desenvolvidos conclui-se que os principais produtores de jambu na região pesquisada são pequenos produtores periurbanos, que produzem outras hortaliças associados com o jambu, buscando principalmente maiores níveis de renda. Constatou-se, ainda, que o jambu possui uma cadeia curta, com no máximo um intermediário entre produtores e consumidores, os quais enfrentam desafios como a necessidade de inovação tecnológica e apoio do estado por meio de políticas públicas para fortalecer a cadeia produtiva. Esta hortaliça é comercializada principalmente em mercados de proximidade e locais de forma in natura. Além disso, identificou-se que os preços do jambu variam de maneira significativa ao longo do ano, influenciados especialmente pelas condições climáticas e por eventos culturais, como o Círio de Nazaré. Foi possível observar uma tendência de valorização dos preços ao longo do tempo, especialmente a partir de 2020, possivelmente associada à diversificação de usos do jambu nas indústrias de alimentos, cosméticos e bebidas. Os resultados também indicaram que a produção de flores de jambu dá lucros maiores por canteiro para o produto, mesmo com custos mais elevados e a necessidade de mão-de-obra especializada.
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GLORIA LETICIA OLIVEIRA GONCALVES LIMA
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Determinantes socioambientais e espaço-temporais do suicídio indígena na Amazônia Legal: análises integrativas, ecológicas e de impacto em anos potenciais de vida perdidos
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Orientador : ALTEM NASCIMENTO PONTES
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Data: 04/11/2025
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A Amazônia Legal, território de complexas interações socioambientais e culturais, tem sido palco de uma crescente preocupação com os índices de suicídio entre povos originários. Este estudo tem como objetivo analisar as interfaces ambientais associadas ao suicídio indígena na Amazônia Legal, com ênfase na dinâmica espaço-temporal e nos Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP) entre 2019 e 2023. Trata-se de um estudo ecológico, de abordagem quantitativa e caráter descritivo-analítico, fundamentado em dados secundários provenientes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). As variáveis investigadas incluíram idade, sexo, etnia, local de ocorrência, método utilizado e fatores ambientais relacionados ao território. A análise envolveu estatística descritiva, cálculo dos APVP e estimativas de sobrevida por meio das curvas de Kaplan-Meier. Os resultados evidenciaram uma concentração de óbitos por suicídio em populações indígenas jovens, predominantemente do sexo masculino, com picos de incidência em faixas etárias entre 15 e 29 anos. As maiores taxas foram observadas em estados com intenso processo de degradação ambiental e conflitos territoriais, como Amazonas, Mato Grosso do Sul e Roraima. O cálculo dos APVP revelou perdas significativas de anos de vida, expressando não apenas a magnitude do evento, mas também seu impacto socioterritorial e geracional. As análises espaciais indicaram correlação positiva entre áreas de pressão antrópica e aumento das taxas de suicídio, sugerindo que os fatores ambientais e a desestruturação cultural influenciam de forma determinante o adoecimento mental indígena. Conclui-se que o suicídio indígena na Amazônia Legal é um fenômeno multicausal, interligando dimensões ambientais, socioculturais e políticas. A compreensão dessas interfaces é essencial para o planejamento de políticas públicas interculturais, pautadas na valorização dos saberes tradicionais, na sustentabilidade dos territórios e na promoção da vida. O estudo reafirma a necessidade de estratégias de vigilância em saúde mental sensíveis ao contexto amazônico e aos determinantes socioambientais que moldam as vulnerabilidades dos povos originários.
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LIUZELÍ ABREU CARIPUNA
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Destinos turísticos inteligentes e sustentáveis: uma proposta metodológica para a análise de indicadores de competitividade em destinos turísticos na Amazônia paraense
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Orientador : MANOEL TAVARES DE PAULA
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Data: 28/11/2025
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O turismo é um fenômeno complexo e de conceito abrangente, sendo em geral caracterizado pelo deslocamento de pessoas para fora do seu entorno habitual motivado por questões não remuneradas. Ao longo dos anos viu-se seu conceito sendo ampliado, passando a ser compreendido como um fenômeno social e não somente como uma abordagem econômica. Por ser uma atividade dinâmica e competitiva, é importante considerar a integração da governança, inovação, tecnologia, sustentabilidade e acessibilidade, pilares estruturantes dos Destinos Turísticos Inteligentes (DTI). Nesse sentido, é relevante considerar quais aspectos são determinantes na competitividade dos destinos turísticos, principalmente quando se trata de um destino com especificidades e singularidades regionais, como a Amazônia paraense. Diante desse contexto, o objetivo desta pesquisa se concentra em propor um conjunto de indicadores que possam ser utilizadas em análises sobre a competitividade dos destinos turísticos na Amazônia paraense, fundamentadas na concepção de DTI. Esta pesquisa se desenvolve, a partir desse contexto geral, trata a Amazônia paraense, configurando-se no estado do Pará, como área de estudo, adotando como metodologia uma abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico, documental e exploratório, além de abordagem quantitativa por meio dos softwares Iramutec, VOSviewer e da técnica Delphi. A pesquisa resultou em quatro artigos interdependentes, que correspondem aos objetivos específicos. Os resultados apontaram indicadores relevantes para o contexto da Amazônia paraense, evidenciando quais elementos podem estar associados à competitividade de um destino turístico com especificidades territoriais e singularidades socioculturais, ambientais e econômicas, como a Amazônia. Ressalta-se que a competitividade dos destinos turísticos na Amazônia paraense está diretamente relacionada aos pilares de DTI. Também é importante considerar que o fortalecimento da governança e das políticas públicas voltadas à gestão integrada do turismo são elementos essenciais para consolidar destinos mais sustentáveis e competitivos. Além disso, este estudo oferece subsídios teóricos e práticos para pesquisadores, gestores e formuladores de políticas públicas, proporcionando a ampliação do debate sobre o papel dos DTI no contexto da Amazônia paraense.
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LIANNE BORJA PIMENTA
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AVALIAÇÃO INTEGRADA DA QUALIDADE AMBIENTAL URBANA COM MODELAGEM ESPACIAL MULTICRITÉRIO: APLICAÇÕES NO MUNICÍPIO DE ANANINDEUA-PA
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Orientador : NORMA ELY SANTOS BELTRAO
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Data: 15/12/2025
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A rápida expansão das áreas urbanas tem intensificado desafios socioambientais, especialmente em contextos amazônicos marcados por crescimento acelerado, ocupação desordenada e vulnerabilidades estruturais. A avaliação da Qualidade Ambiental Urbana (QAU) torna-se, portanto, um instrumento essencial para o planejamento territorial sustentável, subsidiando políticas públicas e estratégias de mitigação de desigualdades. Inserida nesse cenário, esta tese — “Avaliação Integrada da Qualidade Ambiental Urbana com Modelagem Espacial Multicritério: Aplicações no Município de Ananindeua-PA” — desenvolve uma abordagem metodológica baseada na combinação entre Métodos de Análise Multicritério (MAM) e modelagem espacial aplicada ao município de Ananindeua, Pará, integrando técnicas de ponderação, estatísticas espaciais e dados de sensoriamento remoto. A pesquisa está estruturada em três artigos interdependentes. O Artigo 1, “Multi-criteria Decision-Making Methods to evaluate urban environmental quality: A scoping review”, realiza uma revisão sistemática de 47 estudos publicados entre 2019 e 2022, identificando tendências metodológicas na avaliação da qualidade ambiental urbana. O estudo destaca nove principais técnicas multicritério integradas a dados geoespaciais, incluindo AHP, TOPSIS, CoCoSo, PROMETHEE e BWM, além de categorias recorrentes de indicadores ambientais, socioeconômicos e de infraestrutura. Os achados revelam a predominância de métodos híbridos que combinam MAM com Sistemas de Informação Geográfica, fornecendo diretrizes fundamentais para a construção do modelo aplicado nesta tese. O Artigo 2, “GIS-Based Flood Susceptibility Mapping Using AHP in the Urban Amazon: A Case Study of Ananindeua, Brazil”, aplica o método Analytic Hierarchy Process integrado à modelagem espacial para estimar a suscetibilidade a alagamentos. Cinco critérios geoambientais (precipitação, uso e cobertura da terra, declividade, tipo de solo e densidade de drenagem) são ponderados e integrados por meio de álgebra de mapas. A validação cruzada com eventos de alagamento mapeados via SAR Sentinel-1 (2019–2025) mostrou alta consistência do modelo (97,2% dos eventos ocorrendo em áreas de média a alta suscetibilidade). O estudo evidencia padrões espaciais críticos associados à impermeabilização, baixa declividade e drenagem insuficiente, além de oferecer insumos para a construção de um dos indicadores do modelo final: o componente C1- Frequência histórica de alagamentos. O Artigo 3, “Diagnóstico Intraurbano da Qualidade Ambiental em Ananindeua (PA) com Integração de Sensoriamento Remoto e AHP”, desenvolve um Índice de Qualidade Ambiental Urbana (I-QAU) em escala de bairros, integrando indicadores ambientais, de infraestrutura urbana e de vulnerabilidade socioambiental. Os indicadores foram normalizados, ponderados via matrizes de comparação pareada validadas por especialistas e integrados em ambiente raster. As estatísticas zonais permitiram identificar desigualdades intraurbanas, revelando um padrão centro–periferia: bairros centrais apresentaram melhores condições ambientais, enquanto áreas periféricas (como Icuí-Guajará e Guajará) registraram maiores vulnerabilidades devido à combinação de impermeabilização intensa, baixa arborização e maior exposição a alagamentos. De forma integrada, os três artigos demonstram a eficácia da modelagem espacial multicritério para diagnosticar condições ambientais intraurbanas em municípios amazônicos. Os resultados reforçam o potencial do uso combinado de MAM, sensoriamento remoto e dados geoespaciais para aprimorar a gestão ambiental urbana, apoiar decisões estratégicas e orientar ações de planejamento territorial sustentável.
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ANDREZA MESQUITA MARTINS
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A Oleaginosa Amazônica Pracaxi: Cadeia Produtiva, Caracterização Socioeconômico-Ambiental e Análise de Bioativos no Resíduo Industrial
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Orientador : ANA LUCIA NUNES GUTJAHR
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Data: 17/12/2025
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A região Amazônica, destaca-se pela diversidade da fauna e da flora e pela relevância ecológica. Entre as atividades econômicas viáveis na região estão o manejo dos açaizais, a extração madeireira e o uso de espécies oleaginosas. A planta Pentaclethra macroloba [Willd.] Kuntze) conhecida como pracaxi, tem grande importancia economica devido a extração de óleo vegetal de suas sementes. Entretanto, a extração do óleo de pracaxi gera resíduos (tortas) que podem ocasionar impactos ambientais devido ao descarte. Este trabalho tem como objetivo realizar um estudo socioeconômico e ambiental das comunidades coletoras das sementes da oleaginosa Pracaxi, determinando sua cadeia produtiva, e teor de bioativos, composição química e físico-química do resíduo da extração dos óleos (torta) produzidos industrialmente, a fim de propor alternativas para o uso desses resíduos. Para a caracterização socioeconômica, a determinação do índice de sustentabilidade e parte da análise da cadeia produtiva, o estudo ocorreu nas comunidades Furo do Gil e São Raimundo, ambas coletoras das sementes oleaginosas dos municípios de Breves e Gurupá, respectivamente, no estado do Pará. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado com perguntas fechadas e abertas para os extrativistas e participantes da cadeia produtiva das oleaginosas. As amostras da torta (resíduo) foram obtidas na empresa AmazomOil LTDA, sendo submetidas a análises de bioativos, físico-químicas e químicas, no Laboratório de Físico-Química de Alimentos do IFPA–Campus Castanhal, e no Laboratório de Fitoquímica da Faculdade de Farmácia da UFPA-Campus Belém-PA. Os dados coletados na pesquisa foram informatizados (Microsoft Excel 2016) e analisados estatisticamente (software BioEstat 5.3). Os resultados mostraram que a maioria dos habitantes das Comunidades Furo do Gil (57,45%) e São Raimundo (38,61%) possuem o Ensino Fundamental incompleto; e que a maioria utiliza a água de igarapé para o consumo e uso doméstico. Sem a presença de sistema sanitário em ambas as comunidades, que destinam seus resíduos diretamente no igarapé. A análise do Índice de Sustentabilidade Global (ISG), foi igual a 0,25 para a C. Furo do Gil e 0,37 para a C. São Raimundo, classificando as comunidades com grau "Alerta” para C. Furo do Gil) e "Médio" para C. São Raimundo) na escala de sustentabilidade estabelecida pelo PNUD/ONU. Nesse contexto, nota-se que os residentes apresentam precárias condições socioeconômicas e ambientais, havendo uma carência de políticas públicas voltadas para a região. Quanto a cadeia produtiva, notou-se que a coleta manual das sementes de pracaxi ocorre em rios próximos às comunidades, com desafios como falta de proteção solar dos catadores e impacto das mudanças climáticas. As famílias vendem o quilo das sementes por R$ 2,50 para atravessadores, que repassam à indústria por R$ 4,00. Na Comunidade Furo do Gil, a maioria dos entrevistados considera a renda obtida satisfatória, enquanto na C. São Raimundo predominam avaliações pouco satisfatórias. Com isso, a cadeia produtiva enfrenta pressão ambiental devido à área restrita de ocorrência e ao avanço da cultura do açaí. Ficou evidente que o resíduo (torta) da extração do pracaxi apresenta composição rica em fibras, proteínas, lípidos e carboidratos, além de elevados teores de compostos bioativos e atividade antioxidante significativa. Tal perfil demonstra potencial para o aproveitamento do resíduo em novos processos produtivos, agregando valor e contribuindo para a sustentabilidade ambiental e económica, ao promover o desenvolvimento de possíveis novos produtos e reduzir o impacto do descarte na Amazônia.
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JOAO RAIMUNDO ALVES MARQUES
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Estudo socioeconômico-ambiental e de saúde de populações tradicionais da mesorregião do Marajó, Pará, Brasil
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Orientador : ANA LUCIA NUNES GUTJAHR
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Data: 19/12/2025
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O estudo proposto considera importante uma investigação dos aspectos socioeconômicos, de infraestrutura sanitária e ambiental, de condições habitacionais, de sustentabilidade e de saúde de grupos sociais da Amazônia marajoara. Assim, o estudo tem por objetivo diagnosticar os aspectos socioeconômico-ambiental e de saúde de populações tradicionais da mesorregião do Marajó-Pará, verificando as condições de vida, assim como, o perfil socioeconômico-ambiental dos habitantes, além de determinar o índice de sustentabilidade e diagnosticar as parasitoses intestinais e o estado nutricional de crianças e pré-adolescentes (0 a 14 anos). O estudo foi realizado na mesorregião do Marajó, estado do Pará, com três grupos sociais: Ribeirinhas, Quilombolas e Pesqueiras e foi baseado em observação in lócus, roda de conversas com moradores e questionário semiestruturado aplicado a um membro de cada família das comunidades dos diferentes grupos sociais. Para o diagnóstico das parasitoses intestinais e do estado nutricional, foram realizados Exames Parasitológico de Fezes e Aferições Antropométricas (altura e peso) em 297 crianças e pré-adolescentes. Todos os dados coletados foram compilados e analisados em planilhas (Microsoft Excel 365) e interpretados estatisticamente pelo Teste Qui-Quadrado e ANOVA à 5% de significância, utilizando o software Bioestat 5.3. Constatou-se que as famílias dos três grupos sociais possuem, em sua maioria, nível de escolaridade correspondente ao ensino fundamental, além de baixo poder aquisitivo, com renda mensal de até um salário-mínimo; mais de 90% do total de famílias depende de recursos governamentais como o Bolsa Família. A principal atividade econômica entre os habitantes das comunidades é a agricultura e o extrativismo animal e vegetal. Os resultados também evidenciam problemas ambientais relacionadas à ausência de infraestrutura sanitária e à limitação dos serviços de saúde. Os habitantes participantes do estudo, vivem em contextos caracterizados por exclusão social, condições insalubres e acesso restrito a serviços públicos, especialmente nas comunidades ribeirinhas. Quanto aos índices de sustentabilidade, as comunidades pesqueiras Céu e Monsarás apresentaram os melhores índices (ISG = 0,62 – situação Aceitável; e 0,55 – situação Média, respectivamente); quilombolas São Sebastião do Cipoal e Mangueiras apresentaram situação Média (ISG = 0,53 e 0,45, respectivamente); as comunidades ribeirinhas Mojuá e Ilha do Sapateiro evidenciaram os menores valores (ISG = 0,29 e 0,30), indicando situação de Alerta. Em relação a saúde das crianças e pré-adolescentes, detectou-se de um geral, prevalência de 90,2% dos casos positivos para ao menos uma espécie de parasita. O poliparasitismo foi mais frequente nas comunidades ribeirinha (71,1%). A média de altura e peso das crianças foi de 112,3 cm/22,8 kg na comunidade ribeirinha, 123,6 cm/27 kg na comunidade quilombola e 118,7 cm/25,5 kg na comunidade pesqueira. Em relação aos índices antropométricos: E/I apresentou déficits estaturais em 21,4% (crianças de 0 a 4 anos), 16,6% (5 a 9 anos) e 7,6% (10 a 14 anos). Para o IMC/I, observou-se risco de sobrepeso/sobrepeso/obesidade em 37,7% das crianças de 0 a 4 anos, e prevalência de sobrepeso/obesidade de 15% e 16,5% nas faixas etárias de 5 a 9 e 10 a 14 anos, respectivamente. Sendo assim, espera-se que esse estudo contribua para a implementação e desenvolvimento de políticas públicas, proporcionando subsídios e intervenções nas condições socioeconômicasambientais, de saúde pública e no saneamento básico, a fim de proporcionar melhoria na qualidade de vida dos povos tradicionais no Marajó.
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