IGARAPÉS DA AMAZÔNIA: UMA PROPOSTA DIDÁTICA PARA PRÁTICAS EM EDUCAÇÃO SOCIOAMBIENTAL
Educação Socioambiental. Igarapés da Amazônia. Ensino de Ciências. Meio Ambiente; Sustentabilidade;
A presente dissertação aborda as potencialidades pedagógicas dos igarapés amazônicos no ensino de Ciências, tomando como contexto os desafios socioambientais do município de Igarapé-Açu, Pará. Parte-se do seguinte problema de pesquisa: de que maneira uma proposta didático-metodológica, fundamentada nos Três Momentos Pedagógicos, pode contribuir para a promoção de habilidades relacionadas ao componente “Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima”, a partir da realidade dos igarapés locais? O objetivo consistiu em investigar as contribuições dessa abordagem para a formação socioambiental de estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental (8º ano), articulando ciência, território e cidadania. A pesquisa caracterizou-se como qualitativa e seguiu os princípios da pesquisa-ação, sendo desenvolvida em uma escola privada do município. Como procedimentos metodológicos, foram realizadas aulas estruturadas nos Três Momentos Pedagógicos, incluindo atividades investigativas, visita ao igarapé, entrevistas com moradores, produção de materiais autorais e culminância em uma feira intitulada “Múltiplas dimensões dos igarapés da Amazônia”. Os dados foram constituídos a partir das produções dos estudantes, registros em diário de campo, falas coletadas durante as apresentações e materiais audiovisuais, sendo analisados por meio da Análise de Conteúdo. Os resultados evidenciaram que os estudantes ampliaram suas compreensões sobre os igarapés, que inicialmente estavam centradas em aspectos naturais ou em problemas como poluição, passando a incorporar dimensões históricas, culturais, identitárias, econômicas e políticas. As análises permitiram a organização de categorias relacionadas à relação natureza-sociedade, ao reconhecimento dos igarapés como patrimônio socioambiental, à responsabilidade coletiva de cidadania e à governança ambiental, indicando avanços na construção de uma leitura mais crítica e contextualizada do território. Destaca-se que a proposta possibilitou aos estudantes compreender o meio ambiente em sua dimensão integrada, envolvendo aspectos naturais, físicos, socioculturais e econômicos, bem como problematizar as interferências individuais e coletivas nos espaços de vivência. Além disso, favoreceu a compreensão do desenvolvimento sustentável e o compromisso com atitudes alinhadas aos pilares da sustentabilidade, fortalecendo o protagonismo estudantil e o sentimento de pertencimento ao território. Como Produto Educacional, foi elaborado o “Guia de práticas educativas socioambientais a partir de igarapés da Amazônia”, estruturado com fundamentação teórica, orientações metodológicas baseadas nos Três Momentos Pedagógicos, sugestões de atividades, estratégias de avaliação e possibilidades de adaptação para diferentes contextos escolares. O guia foi aplicado e avaliado no decorrer da intervenção pedagógica, demonstrando viabilidade, potencial de replicabilidade e contribuição para a integração entre ensino de Ciências e Educação Socioambiental. Conclui-se que a abordagem adotada contribui para o início da formação de estudantes mais críticos, capazes de relacionar ciência, ambiente e participação social, além de evidenciar o papel da escola como espaço estratégico na construção de práticas educativas comprometidas com a sustentabilidade e com a realidade amazônica.