RELAÇÕES ECONOMICAS, SABERES MATEMÁTICOS E PRÁTICAS EDUCATIVAS INTERCULTURAIS NA ESCOLA INDÍGENA MUNDURUKU JULIANO KIRIXI DA ALDEIA KARAPANATUBA
Educação escolar indígena. Economia Solidária. Cultura Munduruku. Educação Financeira Intercultural.
Esta dissertação investiga a educação financeira no contexto da educação escolar indígena, com foco no povo Munduruku, visando fortalecer a economia solidária e promover a autonomia comunitária. O objetivo central é desenvolver práticas educativas que respeitem e integrem os saberes tradicionais da cultura Munduruku com conceitos contemporâneos de finanças, como orçamento, compra e venda, adaptados à realidade local. O referencial teórico baseia-se em estudos sobre educação financeira crítica e intercultural, com ênfase na valorização dos saberes indígenas e no fortalecimento das economias locais, conforme discutido por autores como Gadotti (2009) e Moreira, Tadeu (2013). A metodologia utilizada foi a qualitativa (Tozoni-Reis, 2009) com abordagem etnográfica (Ferri, 2001), com base em vivências participativas e entrevistas com lideranças e membros da comunidade Munduruku. Os resultados indicam que a construção dialógica de um Guia didático com sugestão de uma metodologia culturalmente sensível, utilizando histórias e elementos do cotidiano do povo Munduruku, facilitará a compreensão dos conceitos financeiros por parte dos alunos. Também foi evidenciado o interesse da comunidade em formar cooperativas e grupos de produção, o que reforça a economia solidária e a partilha de recursos. Essas práticas ajudam a desenvolver uma compreensão críticas sobre o uso dos recursos e o papel da coletividade, permitindo que os Munduruku fortaleçam sua identidade e se tornem protagonistas na gestão de suas finanças e recursos. A educação financeira, assim, se torna um instrumento para a residência e a valorização cultural, garantindo que suas tradições e saberes sejam preservados e valorizados.